Semarh fará monitoramento do ar no Carnaval Sustentável

16/01/2008

A qualidade do ar que abastece os foliões durante o Carnaval de Salvador será monitorado novamente este ano. A pesquisa vai identificar os metais pesados e gases tóxicos na atmosfera da festa, ao longo de 25 quilômetros de vias, em trechos com pouca ventilação e muita queima de combustível. O projeto de biomonitoramento do ar é promovido pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), com a coordenação da bioquímica e pesquisadora Nelzair Vianna, em parceria com os dois principais departamentos de pesquisa ambiental do país, na área de poluição atmosférica, das universidades federais de São Paulo (USP) e do Rio de Janeiro (UFRJ).

A grande novidade de monitoramento este ano é um dispositivo de tubo passivo, um monitor individual, equipamento capaz de identificar a quantidade de dióxido de nitrogênio (NO2), gás emitido na atmosfera por meio da combustão do diesel, utilizado nos trios elétricos, carros de apoio, caminhões de lixos, ônibus urbanos e outros veículos nos circuitos da Folia.

A vantagem desse método, segundo Nelzair Vianna, é monitorar individualmente as pessoas que estão mais expostas, durante os sete dias de folia, como cordeiros, motoristas, seguranças de bloco, além de ser uma alternativa simples e barata. “Vamos instalar cerca de 50 dispositivos em pessoas que participam da festa realizando alguma atividade operacional.

O material ficará inserido em uma capa acoplada à cintura, por exemplo”, disse Vianna, ao destacar que o método é utilizado pela USP e validado nos parâmetros da Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). As principais conseqüências do dióxido de nitrogênio no organismo, de acordo com Vianna, são irritações da mucosa do nariz manifestadas através de coriza e danos semelhantes aos provocados pelo enfisema pulmonar, além de alterações oculares.

Além do novo método de monitoramento, o ar que os foliões respiram durante a qualidade e composição do ‘atmosfera’ da festa serão conhecidas através do biomonitoramento, utilizando bromélias Tillandsia Usneoides. A planta detecta a presença de metais pesados, em quantidades capazes de afetar a saúde humana. Outro método também será por meio do aparelho nefelômetro, cedido pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, que faz a monitoração contínua de concentração de material particulado (poeira em suspensão), com capacidade para detectar o tamanho máximo suficiente para penetrar no trato respiratório.

Poluição - Segundo Nelzair Vianna, os locais com maior incidência de poluição durante o Carnaval de Salvador são nas concentrações dos trios elétricos, como o Campo Grande e o Farol da Barra. O nível de partículas poluentes do ar nesses locais chega a 600 microgramas por metro cúbico, em apenas uma hora. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma exposição segura é de 20 microgramas por metro cúbico, no período de 24 horas.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), o patologista Paulo Saldiva, afirma que esses índices são preocupantes e representam riscos à saúde. “A exposição de apenas uma hora num desses ambientes equivale à exposição de 24 horas na cidade de São Paulo num dia de grande poluição”, comparou, enfatizando que ninguém fica apenas uma hora atrás do trio. Saldiva destaca que o folião exposto a metais pesados encontros no ar do Carnaval pode contrair sinusite, infecção de garganta, ter uma asma agravada, ou de ter gripe com mais facilidade.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Juliano Matos, o Estado está transformando o Carnaval da Bahia numa festa planetária e, acima de tudo, ‘mais verde’. “A iniciativa atende uma demanda da população que está mais consciente às atividades implementadas pelo governo”, disse Matos.

Ascom/Semarh - (71)3115-6289/3836