26.11.2009 - Nascido e criado na região da Pedra do Sino, na Fazenda Aurora Três, no município de Wenceslau Guimarães, seu Gervásio Martins de Souza, 66 anos, é um típico agricultor familiar. Na área de 25 hectares, na companhia da esposa e das duas filhas, ele cultiva o cacau, mas também investe em produtos da fruticultura.
Através dos vizinhos, o agricultor soube do Programa Agricultor Florestal, desenvolvido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e teve conhecimento da plantação de eucalipto. “Vi as árvores plantadas pelos colegas e ouvia que plantar o eucalipto deixava a terra seca. Procurei me informar sobre o assunto e percebi que é lenda”, disse o agricultor.
Seu Gervásio procurou o escritório da Sema, em Wenceslau Guimarães, se cadastrou no programa, recebeu assistência técnica para o plantio e foi um dos beneficiados com dia de campo na fazenda Bom Jesus, do seu colega agricultor Valdir Elias.
Em uma área de um hectare, Valdir Elias - com apoio técnico da Sema e ajuda de custo da prefeitura de Wenceslau - cuidou da plantação e hoje o espaço com 840 pés de eucaliptos serve de visitação para outros agricultores. No local, eles aprendem sobre espaçamento, adubação e importância do plantio, além dos possíveis consorciados de produtividade que podem ser feitos.
O município já conta com 10 unidades técnicas demonstrativas onde são realizados diversos encontros com dia de campo para pequenos produtores. “A gente plantava do nosso modo, depois que visitei a unidade de Waldir Elias aprendi sobre os outros tipos de eucalipto, sobre espaçamento”, disse Gervásio Martins, que já possui 750 pés de eucalipto consorciado com agricultura familiar.
“Na agricultura, se não plantar, cultivar, se perde tempo e dinheiro”, disse Gervásio, que aguarda financiamento para investimento na produção. Por conta própria, segue com a plantação com o apoio dos técnicos da sema.
Gervásio Martins diz que pretende investir na madeira plantada, pois já sabe que retorno é rápido e garantido. “A toda hora eu preciso de madeira para lenha e para secar cacau. A gente tinha que tirar da mata, mas agora com a minha própria floresta fica mais fácil e não preciso desmatar”, exemplificou.
Para Juliano Matos, secretário estadual do Meio Ambiente, a iniciativa modifica a cultura do agricultor familiar na Bahia, propondo um ganho não só social, mas ambiental também. “A ação busca recuperar as áreas desmatadas e diminuir a pressão sobre a vegetação nativa”, disse.
Segundo Juarez Leal, secretário do Meio Ambiente de Wenceslau Guimarães, a filosofia do programa não visa apenas à parte financeira, mas sim o ganho ambiental. Visto que cada produtor vai ter sua própria floresta de produção, deixando de desmatar a Mata Atlântica, uma vez que 75% da população reside na zona rural e o uso de madeira é grande para os diversos usos.
Eliosmar Fontes lembra que umas das preocupações é a expansão do plantio descontrolado. Sendo assim, já esta sendo criada a legislação para limitar o plantio de acordo com a área do agricultor.
Compensação – Ele destaca ainda que todo produtor é responsável por propagar plantas nativas da região, recuperando matas ciliares e nascentes de rios. A cada hectare ele tem de plantar 100 mudas de espécies nativas.
Na zona rural do Rio Vermelho, localizada no entorno da Estação Ecológica do município, os agricultores já fazem essa compensação, transformando a área que no local que abriga o maior número de produtores florestais.
Fonte: Ascom/Sema