Crianças brincando de jogar bola na beira do rio, lavadeiras a alvejar brancos lençóis, o pescador e sua tarrafa na lida diária pelo peixe. Essas são algumas cenas do cotidiano das comunidades que vivem às margens ou no entorno do Rio Brumado, na Bacia do Rio de Contas, e do Paraguaçu, registradas pelo fotógrafo Álvaro Villela, e que estão expostas de 24 a 29 de março no Espaço Gourmet, L1, do Salvador Shopping. A solenidade de abertura da exposição acontece hoje (26), às 19h.
Denominada de “O Povo dos Rios”, a exposição fotográfica faz parte das comemorações do Dia Mundial da Água desenvolvida pelo Governo do Estado, através da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), autarquia vinculada à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. A idéia é trazer para a cena urbana um retrato da vida, da história e da inter-relação com a natureza, sobretudo com as águas, das comunidades tradicionais, como quilombolas, pescadores e marisqueiras.
Nessa perspectiva, Álvaro Villela irá revelar por meio de 16 fotos em preto e branco a necessidade do cuidado e da proteção a água. Uma postura bem traduzida pelas comunidades tradicionais, que compreendem a dependência desse bem tão precioso em todos os instantes de seu dia-a-dia, seja para arar a terra, tomar banho ou simplesmente matar a sede. “Eles são pescadores, marisqueiras, agricultores, mestiços, negros, brancos, índios... São alegres e sofridos, fortes e frágeis, universais e peculiares. É o povo dos rios, das águas, que diariamente constrói a sua história que coincide com a história da luta pela valorização e a proteção da biodiversidade brasileira”, comenta Álvaro.
Por isso, a exposição para Álvaro, em comemoração ao Dia Mundial da Água, é muito especial. “A intenção, portanto, é instigar o conhecimento, o entendimento e, a partir daí, incentivar uma atuação de forma consciente no que se refere à defesa de nossa biodiversidade, a sustentabilidade ambiental e a valorização dos conhecimentos que as populações tradicionais guardam há séculos sobre os bioativos da nossa natureza”, afirma.
A idéia é, portanto, sensibilizar. “Em que pese o lirismo das imagens, elas pretendem denunciar e convocar toda a sociedade a uma ação restauradora e cheia de esperança. Deixaremos um grito ecoar: o que podemos fazer já por este povo e por estas águas que precisam de cuidado?”, convida à reflexão.
Sobre o fotógrafo
Álvaro Villela, 47 anos, é soteropolitano, jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e atua como fotógrafo profissional desde 1989. Ele fazia faculdade de biologia quando resolveu mudar o foco de sua vida. “Entrei no cinema para assistir o filme Sob Fogo Cerrado. O filme mostra a vida de um fotógrafo que foi fazer um trabalho na guerrilha da Nicarágua. Quando percebi a fotografia, essa linguagem não-verbal, saí do cinema apaixonado, querendo ser fotógrafo. Tomei essa decisão e a fotografia é a minha razão de ser, a forma de me relacionar com o mundo, trocar idéias, emitir opiniões...”, comenta.
Devido à forte influência do curso de biologia, que acabou desistindo em função dos cliques e das imagens, Álvaro conta que o meio ambiente e o homem como parte dele, sempre estiveram inseridos no seu trabalho. Tanto que está editando o segundo livro intitulado “Fronteiras das Águas”, com uma coletânea de fotos tiradas nas Bacias Hidrográficas do Rio de Contas, Grande e do Rio Paraguaçu.
Fonte: Ascom/SRH