01.04.2009 - Dois painéis em azulejo, datados de 1957 e de autoria do artista plástico Jenner Augusto – um dos ícones do Modernismo na Bahia – foram restaurados pelo IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), órgão da Secretaria de Cultura do Estado, e passarão a fazer parte, agora, do acervo do Zoológico de Salvador. A inauguração acontece nesta sexta-feira (03), às 9h, na entrada do Zoo, com entrada pelo Alto de Ondina.
Estarão presentes, os secretários estaduais de Cultura, Marcio Meirelles, e do Meio Ambiente, Juliano Matos, o diretor-geral do IPAC, Frederico Mendonça, o diretor do Zoológico de Salvador, Gerson Norberto, a viúva de Jenner Augusto, Luiza Silveira, familiares e amigos do artista, além de outras autoridades estaduais e municipais, técnicos, especialistas, restauradores, ambientalistas, funcionários do Zôo, crianças e adolescentes de escolas da cidade.
As duas obras de arte estiveram sob risco iminente e foram deterioradas durante o período de oito anos, a partir do fechamento do restaurante do Alto de Ondina, ao lado do Jardim Zoológico. A antiga edificação, pertencente à Saeb (Secretaria de Administração do Estado), estava sendo demolida pela Sucab (Superintendência de Construções Administrativas da Bahia) em março do ano passado (2008), quando o IPAC foi chamado para avaliar as obras de arte. Na oportunidade, o secretário Marcio Meirelles anunciou compromisso de fazer a restauração completa dos painéis e conseguir um novo local para a instalação das peças.
Um dos painéis, criado em sentido vertical, é figurativo e retrata elementos zoomórficos – animais da fauna brasileira – em monocromático azul e com dimensões de 2,75m x 1,81m. Esse painel, que está instalado agora em frente ao Museu do Zôo, esteve parcialmente protegido da intempérie já que se encontrava em área coberta da antiga ruína do restaurante. Já o outro, policromado, com motivos de figuras humanas representando crianças e nas dimensões de 0,91m X 5,5m, encontrava-se em área externa sofrendo a ação do tempo, maresia e salinidade e, por isso, perdeu cerca de 40% da sua textura original.
“No mesmo dia em que o IPAC foi informado, os especialistas do órgão iniciaram levantamentos técnicos no local”, diz o diretor do IPAC, Frederico Mendonça. Segundo o diretor, a retirada dos painéis foi um trabalho extremamente delicado. “Ambos os painéis são compostos por azulejos tipo comum de 15,8 cm X 15,5 cm, que têm espessura fina e foram assentados, à época, de maneira inadequada já que utilizaram ‘nata de cimento puro’ sobre concreto, o que é contra-indicado e poderia comprometer a integridade do trabalho”, relata o diretor do IPAC.
Os painéis estão entre os primeiros trabalhos coloridos produzidos em azulejo feitos no Brasil. O zoo abriga e preserva essas obras por ser um local bem freqüentado, seguro e ter ligação com o tema dos trabalhos. “É importante que o Zoológico tenha sido o local escolhido para sediar as obras, isso mostra que o parque tem respaldo, credibilidade e público para apreciar”, ressalta o coordenador do Zoo, Gerson Noberto.
JENNER AUGUSTO (1924-2003) nasceu na cidade de Aracaju, Sergipe. Em 1940 mudou-se para Salvador, tendo na década de 1960 se notabilizado por suas pinturas em telas tendo como motivo o bairro de Alagados. Participou da mostra Baianos na Filadélfia (EUA, 1966), fez exposições na França, Itália, Holanda, Inglaterra, Bélgica e outros países. No Brasil expôs nas cidades do Recife, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e outras. Seus trabalhos constam do acervo de importantes Museus e coleções particulares. Jenner foi um dos integrantes do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, durante a década de 50, junto com Mário Cravo Jr., Genaro de Carvalho, Carlos Bastos e Carybé, entre outros. Antes disso, em seu estado, foi o precursor da Arte Moderna, já que em 1949 realiza os murais decorativos do Bar Cacique, com claras referências à obra de Portinari.
Fonte: Ascom/IPAC/Sema