Paula Pitta - Jornal A Tarde
A área dos grandes felinos do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, popularmente chamado de Jardim Zoológico, está em reforma há 10 dias. A mudança, que deve ficar pronta em junho deste ano, pretende criar um ambiente mais próximo do habitat natural dos 12 bichanos. As grades serão retiradas, e o local, que hoje tem 520 m², terá 42% a mais de espaço, com a construção de um piso superior e uma área de escape, para que os animais se abriguem nas horas de calor e em período de reprodução.
“Para o público também será interessante, porque sem as grades e com apenas vidros, o contato com os felinos será maior. Além disso, o ambiente composto por rochas e cascatas dá a sensação de entrar em uma caverna”, explica Gerson Norberto, administrador do Zôo. A idéia agradou aos visitantes consultados pela reportagem do A Tarde On Line, mas deixou alguns receosos. “Se este vidro for seguro, eu visito”, disse o enfermeiro Ronilson Moraes.
Sobre isso, Gerson garante que não há risco. O vidro é laminado, temperado e próprio para suportar grandes impactos. Este modelo de jaula já é utilizado em outros zoológicos, principalmente fora do Brasil. Aqui no país, há uma experiência semelhante no Zoológico de São Carlos, em São Paulo, mas em proporções menores, de acordo com o administrador.
Visitação comprometida – Durante a reforma, o Jardim Zoológico continua aberto, mas a área dos grandes felinos fica isolada. Para percorrer a trilha de 1,4 km, o visitante precisa utilizar circuitos alternativos. Os novos caminhos, no entanto, impossibilitarão os visitantes de observarem os bois, jacarés e porcos-selvagens. “Como as jaulas desses animais ficam em um nível inferior ao da obra, a chuva está levando os detritos da reforma para esta área, o que impede a passagem dos visitantes”, explica Gerson.
O casal de leões e o tigre também estão longe dos olhos dos visitantes. Eles vão ficar na quarentena durante a reforma. Mas as nove onças foram trasnferidas e serão expostas. Ainda não há placas no local informando da mudança e falta terminar a construção de uma escada que vai possibilitar o isolamento da área em reforma. Gerson prevê que esta infra-estrutura deve ficar pronta até o próximo fim de semana. O administrador garante que, enquanto não houver sinalização, um segurança do zoo auxiliará na informação dos visitantes.
Novidades – A Secretaria de Meio Ambiente e Recurso Hídricos (Semarh), responsável pelo zôo, está com projeto para fazer mudanças na área das aves. A idéia é montar um ambiente “walking thruth”, ou seja, retirar 16 viveiros pequenos e criar uma estrutura única, com 14 metros de altura e 70m de comprimento, onde 42 espécies ficarão soltas e em contato com os visitantes.
A descrição deste cenário faz a imaginação do garoto Juan Bahia, 12 anos, que estava visitando o zoológico nesta terça, voar. Ele aprovou a idéia do contato com as aves. “Como é, vai ficar tudo junto é moça?”, perguntava o menino, curioso. As espécies escolhidas não oferecem perigo aos visitantes e dividirão o mesmo espaço. Hoje, o zoológico abriga 60 espécies de aves. As de hábitos mais agressivos, como as aves de rapina, ficarão em jaulas separadas.
Diferente da reforma na área dos felinos, que é de responsabilidade apenas da Semarh, o projeto das aves será realizado com apoio de capital privado. Enquanto o orçamento da reforma da casa dos felinos está estimado em R$450 mil, os valores que serão investidos no modificação da passarela das aves não foi informado. Essas obras devem começar em 40 dias.
O objetivo dos dois projetos é estimular as pesquisas. “Agora podemos observá-los em um cenário mais próximo do habitat natural, analisando como eles se comportam, se relacionam. Esse conhecimento pode ser aplicado nos animais destas espécies que ainda estão na natureza, assim poderemos resolver problemas de conflito com algumas comunidades, por exemplo”, explica Gerson Norberto.
Dicas:
-É recomendável o uso de protetor solar para a caminhada no zoológico;
-Deve-se evitar as visitas entre 11h30 e 14h, período de sol mais forte;
-É aconselhável levar água para beber;
Serviço:
O Parque Zoobotânico Getúlio Vargas funciona de terça à quinta-feira, das 8h às 17h, e de sexta à domingo, das 8h às 18h. A entrada é gratuita.
QUEM SÃO OS FELINOS DO ZÔO DE SALVADOR?
O Zoológico de Salvador abriga 12 grandes felinos: um casal de leões, quatro onças pintadas, duas onças pretas (casal), três sussuaranas (um macho e duas fêmeas) e um tigre. Destes, cinco foram encaminhados ao Parque Zoobotânico de Salvador pelo Ibama, três nasceram no cativeiro e um veio do circo de Beto Carrero.
Os três restantes, a administração do zôo não soube informar a origem. É o caso das duas fêmeas de sussuarana, que têm cerca de 19 anos. “Elas já estão há tanto tempo aqui, que nem tem no registro como chegaram”, conta Gerson Norberto, administrador do zôo.
O macho das sussuaranas, apelidado de Diogo, chama atenção entre as anciãs. Ele tem 8 anos, seis vividos no zôo de Salvador. Diogo veio do Centro do Ibama de Vitória da Conquista.
O casal de onças pretas vive a mais tempo no local. Eles foram doados pelo Ibama de Campinas em 1998 e estão com 14 anos. O macho das onças pretas é o namorado de Juma, uma onça pintada de 9 anos. Eles tiveram dois filhotes, ambos da espécie pintada, que estão com dois anos e seis meses.
O casal de leões, uma fêmea de 19 anos e um macho de 8, também foi doado pelo Ibama. Já o tigre, de 29 anos, que veio do Circo de Beto Carrero, chama a atenção pela magreza. “Na infância, ele desenvolveu raquitismo e hoje, mesmo bem alimentado, não consegue engordar”, explica Gerson.