03.11.2009 - O Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), autarquia da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), e a Secretaria da Cultura (Secult) prosseguem com a execução da primeira etapa do Projeto Águas Fontes da Vida, que prevê o mapeamento, a recuperação e conservação das fontes sagradas de dez Terreiros de Salvador. O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afrobrasileiras (Intecab).
Além da recuperação arquitetônica, está sendo feito o levantamento do processo histórico-cultural da fonte na vida religiosa dos Terreiros para posterior identificação e a análise das condições da qualidade das águas nos territórios étnicos de dez Terreiros de candomblé de Salvador, Lauro de Freitas e Candeias.
A análise das águas sagradas foi incluída em uma linha de ação do Programa Monitora, que avalia periodicamente a qualidade da água dos 100 maiores rios da Bahia como parte do Programa Água para Todos.
O diagnóstico das fontes dos terreiros vai possibilitar uma ampliação significativa da rede de monitoramento de qualidade de água alcançada pelo Programa Monitora, a partir da inclusão da variável étnica e do respeito à ancestralidade das religiões de matriz africana como elementos de valorização e conservação das águas.
Concluída a etapa de diagnóstico de infraestrutura dos terreiros, terão início as atividades de restauração e melhoria do espaço físico dos territórios étnicos visitados.
Cronograma - Iniciadas em setembro, também prosseguem até dezembro as visitas técnicas a dez terreiros de candomblé localizados na capital e na região metropolitana, para diagnóstico das condições iniciais dos seus mananciais sagrados, das características arquitetônicas e do estado de conservação dessas construções, com o objetivo de subsidiar intervenções posteriores.
Também estão sendo mapeadas as espécies botânicas dos terreiros que são utilizadas durante os rituais religiosos do candomblé. Outra variante do programa é a educação ambiental, na medida em que as próprias comunidades de terreiro estão sendo envolvidas na sensibilização em suas comunidades e vizinhança da necessidade de preservação e conservação das águas, que fazem parte de todos os rituais religiosos.
O projeto busca conciliar a necessidade de conservação dos recursos hídricos (especialmente rios, cachoeiras e as matas do entorno) com a livre expressão religiosa, garantida pelas Políticas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos (Lei Federal nº 9.433/97 e Lei Estadual nº 11.612/09).
Esta ação é resultado de demandas apontadas em 2007 por comunidades de terreiros durante os Encontros Pelas Águas, uma série de eventos que propiciou o diálogo do Governo da Bahia com diversos grupos tradicionais em relação aos problemas relacionados aos recursos hídricos dos locais onde vivem.
Terreiros beneficiados:
Casa Branca
Ilê Axé Gantois
Mokambo
Kalebokun
Ilê Axé Oyá Tolá
Candeias (Passagem dos Teixeiras)
Mocambo Dandalunda
Modum- Zoo
Ilê Axé Oxumaré
São Jorge da Gomeia Lauro de Freitas (Bairro de Portão)
Fonte: Agecom