17.10.2010 - Representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW), principais apoiadores do Projeto Corredores Ecológicos, realizaram entre os dias 14 e 17 de setembro, uma visita para avaliar as ações de parceria ocorridas durante os últimos quatro anos. Eles percorreram áreas de abrangência do projeto no Corredor Central da Mata Atlântica nos estados da Bahia e do Espírito Santo.
Na Bahia, o encontro foi realizado no Ecoparque de Una, sul do estado. Trata-se de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, com 23.404 hectares, composta por uma faixa costeira com áreas de restinga e manguezal e extensas áreas da mata atlântica. O parque foi criado pelo Instituto de Estudos Socio-ambientais do Sul da Bahia (IESB) e da Conservação Internacional do Brasil.
Para a diretora de Unidades de Conservação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Marianna Pinho o Projeto Corredores Ecológicos é hoje o único em execução para proteção da Mata Atlântica na Bahia, com intervenções importantes na área de fiscalização e gestão de Unidades de Conservação e na articulação entre os órgãos para ações integradas.
Ações realizadas - O Sistema de Proteção Legal da Mata Atlântica (Sisprot), executado pelo Ministério Público em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (Ima), Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa) e Ibama, prevê a construção de bases ambientais para a fiscalização e a integração entre os órgãos no compartilhamento de informações e consultas de processos on-line. Atualmente encontram-se em funcionamento as bases de Amargosa, Valença e Teixeira de Freitas.
Ainda através do Projeto, foi possível fortalecer e apoiar os conselhos gestores das Unidades de Conservação (UCs) com a elaboração de planos de manejo do Parque Estadual Serra do Conduru, e das Apas Itacaré Serra Grande-, Pratigi, e Tinharé - Boipeba. Além disso, foram realizadas oficinas para averbação de reserva legal e conservação de Áreas de Preservação Permanente (APP).
Podemos também destacar a realização do mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo do mini corredor Serra das Onças, localizado entre os municípios de Maraú e Camamu, no sul do estado.
Por meio do Projeto Corredores Ecológicos foi captado recursos para o município de Amargosa, no Recôncavo baiano, para investimento na capacitação de professores da rede pública, criação da UC Serra do Timbó, além do apoio para a criação de viveiros de espécies nativas da mata atlântica.
Presentes no encontro, o diretor da agencia do Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW) no Brasil, Jürgen Kern, e o gestor de projetos Miguel Lanna, explicaram que no país o banco financia projetos em torno de R$ 1 bilhão de reais. Na Bahia, o Projeto Corredores Ecológicos, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, recebeu investimentos em torno de R$ 5 milhões nos últimos 4 anos.
“Através desta missão de avaliação ficou claro que o projeto conseguiu atingir alguns resultados e criar um conjunto de parceiros,a exemplo de instituições que atuam nas áreas de abrangências do bioma”, expressou o gestor de projetos do KFW Miguel Lanna, que lamentou o curto tempo da visita.
Na ocasião, o secretário Estadual do meio Ambiente, Eugenio Spengler chamou atenção para a necessidade da integração entre as políticas de gestão florestal com as das águas. Para isto, foi criado na Sema o grupo de trabalho de Fortalecimento Institucional, que tem por objetivo buscar formas de integrar as ações florestais com as de recursos hídricos, gestão de unidades de conservação e licencimanto.
Splenger ressaltou ainda a necessidade de fortalecer a gestão de florestas com a elaboração do plano de manejo para as 44 unidades de conservação do estado.
De acordo com o consultor permanente do Projeto Corredores Ecológicos na Bahia, Cornelius Von Furstenberg, o encontro foi útil para perceber a dedicação dos parceiros com as causas do projeto, e também o desafio da execução de um projeto complexo, principalmente para garantir que os recursos dos apoiadores sejam utilizados.
“O projeto é um laboratório para instrumentar e definir as políticas públicas, para o fomento de iniciativas de utilização dos recursos da biodiversidade da mata atlântica de forma sustentável”, definiu.
Fonte: Ascom/Sema