Mais de 100 sítios arqueológicos da região do canion do São Francisco, em Paulo Afonso, com pinturas rupestres datadas de nove mil anos, vão ser protegidos pelo Museu a Céu Aberto de Artes Rupestres, criado em parceria pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O projeto do museu vai ser apresentado à comunidade e autoridades, na próxima quinta-feira (17), às 15 horas, na Uneb, em Paulo Afonso, durante o evento em comemoração pelo cinqüentenário do município.
As artes rupestres, sinais e figuras pintados pelos homens primitivos, em rochas e paredes de cavernas, estão gravadas em rochedos graníticos do sertão baiano. “Desde 1950, são alvo da ação da população, que quebrava o granito para a produção e venda de paralelepípedo e brita, destruindo nossa memória, sem nem ao menos conhecê-la”, disse Juracy Marques, diretor do Departamento de Educação do Campus VIII, da Uneb.
Na prática, além de barrar destruição do acervo, a iniciativa visa implantar atividades turísticas no local, garantindo renda para a comunidade, que antes sobrevivia da extração do minério. A proposta é instalar, inicialmente, 10 passarelas em diferentes áreas piloto, a fim de que visitantes e pesquisadores tenham acesso aos sítios, preservando as gravuras.
As passarelas serão de madeira certificada, um padrão exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Aos visitantes, será cobrada uma taxa ainda não definida, para garantir renda à comunidade”, explicou Juracy Marques. O diretor disse ainda que a extração de granito está paralisada devido a uma ação do Ministério Público Federal.
Memória cultural
Grafismos puros, que lembram sinais geométricos como círculos, semicírculos, linhas paralelas e entrecruzadas, representam a relevância histórica dos sítios, segundo Cleonice Vergne, arqueóloga do Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso (Caapa – Uneb). “Na região, não há a incidência de figuras reconhecíveis em uma área ampla. O próximo passo é descobrir porque, nesse espaço, há a preferência apenas pelo grafismo puro”, explicou Vergne.
Segundo ela, a construção da unidade museal permitirá, também, o acesso das pessoas a um pouco da história tradicional do Nordeste. “Nossa proposta e dar à sociedade um retorno, para que ela se aproprie do seu patrimônio”, disse. Haverá ações educativas para crianças, jovens e adultos da região sobre a herança de negros quilombolas, homens pré-históricos do Baixo São Francisco e de comunidades de fundo de pasto.
”Estas são provas documentais da presença humana pré-colonial, que permitem estudar a identidade brasileira, dos que viveram em nosso território há pelo menos nove mil anos”, informou Marques. Ainda segundo ele, cerca de 50 sítios foram completamente destruídos. As principais localidades de ocorrência são a os povoados de Rio do Sal, Lagoas das Pedras, Mão Direita e Malhada Grande.
Ainda na programação do dia, haverá plantio de mudas da Caatinga, previsto para as 17h30. O ato é realizado pelo projeto Condomínio da Terra, promovido pelo Centro de Pesquisa em Ecologia e Conservação da Natureza, da Uneb, Unesco, Quercus (Casulo). Além de Sema e Uneb, através do Caapa, são parceiros as Organizações Não-governamentais Agendha e Raízes, o Ministério Público Federal, e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).
Fonte: Ascom/Sema