Combate ao aquecimento global cria alternativa de renda no sul do Estado

10/12/2007

Mudas de jequitibá, massaranduba, ipê, biriba e sucupira, entre outras árvores nativas, foram plantadas sábado (dia 1), dando início ao reflorestamento de áreas desmatadas, no Parque Estadual Serra do Conduru, em Ilhéus, no sul da Bahia. O plantio é resultante da compensação das emissões de gás carbônico pelas aeronaves que servem à Governadoria, em viagens pelo Estado, durante os próximos quatro anos.

A neutralização das emissões está prevista na adesão ao Programa Floresta Bahia Global, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Com a ‘descarbonização’ das viagens aéreas do governador Jaques Wagner, vão ser reflorestados 30 hectares de mata desmatados na unidade de conservação.

O Parque Estadual da Serra é uma área de preservação permanente, não podendo ser habitada pelo homem, sendo apenas admitido o uso indireto dos seus recursos naturais, em atividades como pesquisa científica e turismo ecológico. Ao completar 10 anos, o parque ainda carece de regularização fundiária em trechos relevantes da sua área total de 9.275 hectares.

“Estamos avançando na questão, fechando o ano com quase 42% das áreas a serem reintegradas em processo de regularização”, informou Marcelo Barreto, gestor do parque. Em parceria com organizações ambientais que atuam na região, a Semarh pretende envolver toda a comunidade do entorno, ocupando áreas dos municípios de Ilhéus, Itacaré e Uruçuca, no processo de recuperação da floresta degradada.
Um delas é Dona Otília Nogueira, 66 anos, que também plantou sua muda e reafirmou o compromisso em preservar a natureza e a cultura dos seus ancestrais quilombolas e índios. “Já plantei muita árvore aqui sozinha, hoje acho importante ver todo mundo fazendo isso junto”, comemorou. Jovens estudantes e moradores das comunidades vizinhas, como Marambaia e Serra Grande, estão envolvidos no programa por meio de convênio com a organização sem fins lucrativos Instituto Floresta Viva e a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), responsáveis pela mobilização e capacitação para a produção e plantio das mudas.

“É uma iniciativa que beneficia vários setores, desde o ambiental, preservando os recursos naturais, ao social, criando uma alternativa de renda à população local”, explicou Rui Rocha, professor da Uesc e secretário-executivo do Floresta Viva, parceiro também na formulação do programa. “A geração de renda cria uma economia florestal, junto à agricultura familiar, um componente gerador de um conceito de carbono social”, concluiu Rui Rocha.

Para o superintendente de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação, Marcos Ferreira, o programa sinaliza para uma política pública preocupada com a responsabilidade ambiental e a participação de todos na preservação dos ativos ambientais do Estado. “Vamos fazer desse programa uma referência em ecodesenvolvimento, conservando a natureza em parceria com dos diversos setores sociais”, afirmou.

Participaram do plantio o Instituto Inamata, Instituto de Estudos Sócio-ambientais do Sul da Bahia (Iesb), Instituto Boto Negro, Instituto Educacional Rosa dos Ventos, rede de gestores de unidades de conservação do Corredor Central da Mata Atlântica da Bahia e Espírito Santos, Secretaria de Meio Ambiente de Ilhéus alunos da Escola Eliés Haun, Associação dos Produtores Orgânicos da Apa Itacaré Serra Grande (Imbaúba) e velejadores franceses participantes da regata Transat Jacques Vabre.
 
Ascom/Semarh
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