Sema realiza excursão técnica para conhecer modelos produtivos visando a sustentabilidade do PAD Bahia

31/10/2022
Com o objetivo de garantir a sustentabilidade econômica dos sistemas do Programa Água Doce na Bahia, foi realizada uma excursão técnica, entre os dias 3 a 7 de outubro, no município de Serra Talhada, em Pernambuco, para conhecer a experiência de um sistema produtivo adotado pela prefeitura nas comunidades agrícolas locais. Aos integrantes da excursão também foram apresentadas as unidades dessanilizadoras das comunidades baianas de Mandassaia II e Caldeirão do Almeida, localizadas, respectivamente, nas cidades de Riachão do Jacuípe e Uauá.

A excursão interinstitucional foi realizada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), e contou com a participação do Núcleo Estadual do Programa Água Doce Bahia (PAD-BA), e representantes do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), do Programa Água Doce de Pernambuco, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de técnicos ambientais e secretários das prefeituras visitadas.

“Estamos dando um passo decisivo em direção a implantação de unidades produtivas integradas aos sistemas dessanilizadores que já foram construídos pelo PAD. A Sema conta com a parceria da Bahia Pesca para a instalação, ainda este ano, de dois sistemas produtivos de psicultura e carcinicultura nos tanques de concentrado salino, nas comunidades da Mandassaia II e Italegre, no município de Baixa Grande. Com a CAR, estamos elaborando um projeto executivo para uma miniusina de água. Já com a Embrapa, estamos estudando possibilidades para usar o concentrado salino para irrigar culturas biossalinas”, destacou o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Porto.

Pelos caminhos do Agreste Nordestino - O início da viagem aconteceu ainda em solo baiano. Na ocasião, a comitiva visitou duas unidades do PAD instaladas nos municípios de Uauá e Riachão do Jacuípe. Também foi realizado o reconhecimento do projeto de implantação da unidade de produção e demonstração de piscicultura na comunidade de Mandassaia II. Esse projeto é de responsabilidade da Bahia Pesca, em parceria com o PAD, que abriu o edital para implantação de dois projetos de piscicultura, dando apoio técnico à comunidade.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido, Welson Simões, após as visitas em campo e troca de informações técnicas com os pesquisadores da excursão, foram observadas potencialidades para se desenvolver projetos produtivos em relação ao reuso da água salina nas comunidades baianas atendidas pelo Programa Água Doce. “Para que isso aconteça, precisamos avaliar também um pouco do sistema da região, por exemplo, o tipo de solo, porque não é todo lugar que a gente vai poder irrigar com água salina. E o mais importante e crucial é que a comunidade tenha interesse de trabalhar com essa tecnologia”, pontuou.

“A excursão serviu ainda para que as instituições pudessem interagir com as comunidades, fazer reconhecimento de campo e realizar conversas técnicas, que certamente não teríamos se fosse feito através de reuniões agendadas em sala fechada. Como encaminhamento, estamos criando um grupo de discussão para construir um debate permanente sobre esse tema, que é da implantação das unidades de produção de piscicultura, carcinicultura e a agricultura biosalina, nas unidades dessanilizadoras do estado”, destacou o especialista em Meio Ambiente da Sema, Magno Monteiro.

Serra Talhada - No roteiro de viagem os integrantes da excursão também visitaram o município de Serra Talhada, em Pernambuco, onde conheceram um projeto de produção de camarão. O projeto utiliza tecnologias simples, mas inovadoras no reuso da água de poços tubulares no semiárido para criar camarão marinho. “A carcinicultura é um incremento de renda para o produtor rural, onde demanda pouquíssimo tempo de trabalho. Para esse tipo produção se utiliza um tempo curto de trabalho, permitindo que as pessoas exerçam outras funções no campo”, explicou o engenheiro de pesca da prefeitura de Serra Talhada, Alexandre Honório.

“Nosso projeto trabalha com um sistema semi-intensivo, com uma densidade de sessenta a noventa camarões por metro quadrado, utilizando águas salobras oriundas de poços artesianos. O rejeito dessa água é também reaproveitado para o próximo ciclo de camarão, como também para a fertilização de algumas culturas como horta, plantações de goiabeira, dentre outros. Essas águas não eram utilizadas para outras culturas devido à salinidade, então implementamos essa tecnologia para aproveitar no cultivo do camarão marinho no sertão pernambucano”, finalizou Alexandre.

Para o cultivo do camarão marinho em água salobra, proveniente de poços artesianos, o engenheiro de pesca do IPA, Gilvan Lira, destacou que esse projeto surgiu pela necessidade de agregar valor ao Sistema Produtivo Integrado do PAD-PE, que já produzia tilápia com água de rejeito do dessalinizador para beneficiar os agricultores familiares no município de Ibimirim. “O Policultivo do camarão e da tilápia foi experimentado naquela unidade produtiva, onde após 6 meses, a despesca nos revelou resultados zootécnicos e econômicos surpreendentes. Outra vantagem foi a otimização dos poços artesianos de água salobra, que representam em torno de 80% do total de poços da região, onde eram subutilizados pelas demais atividades agropecuárias existentes até o momento”, finalizou Gilvan

PAD Bahia - Com a fase de finalização do Programa Água Doce, a equipe do PAD/BA vem dialogando com as 55 prefeituras baianas no intuito de vislumbrar estratégias de governança dos sistemas e garantia do acesso permanente à água de qualidade, por meio da elaboração de Planos de Ação para sustentabilidade dos sistemas implantados. Estes planos prevêem uma agregação de renda às comunidades carentes do semiárido, para fortalecer a Política Pública e fomentar a autonomia quanto às manutenções e governança dos sistemas.

Como exemplos de possibilidades de agregação de renda, têm-se: criação de peixes nos tanques de concentrado, produção de espécies vegetais de uso econômico que suportem o teor de salinidade da água do resíduo, e a venda do excedente da água doce.

Atualmente, o Programa tem mais de 90% de execução físico-financeira, 291 obras concluídas, beneficiando mais de 70 mil pessoas, além de 272 Acordos de Gestão Compartilhada finalizados, 290 oficinas e palestras e mais de 600 pessoas capacitadas para operação dos sistemas. Além da fase de finalização das obras, o PAD Bahia vem realizando processos de monitoramento e manutenção dos sistemas.

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