Webinário debate saberes tradicionais e científicos para o desenvolvimento rural e Agroecologia

01/07/2021
Em seu sexto encontro, o webinário Transição Socioambiental, Ecológica e Econômica, realizado na tarde desta quinta-feira (01) pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), abordou o tema Desenvolvimento Rural e Agroecologia, pautado nos saberes tradicionais e científicos. A discussão foi coordenada pela Dra. Irene Maria Cardoso, professora doutora do Departamento de Solo da Universidade Federal de Viçosa e ex-presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA); pelo Cacique Juvenal Payayá, Indígena, professor e poeta; e por Wellinton Hassegawa, mestre em Desenvolvimento Rural e diretor na Superintendência de Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR). A Bahia é pioneira na inserção desta temática em seu planejamento. No Plano Plurianual do estado (2020-2023) o tema da “Transição Socioambiental, Ecológica e Econômica” se expressa nos programas de Meio Ambiente e Sustentabilidade e de Desenvolvimento Rural, de responsabilidade da SDR. 

A importância dos conhecimentos tradicionais e da ancestralidade das populações indígenas foi fortemente pontuada na fala do cacique Juvenal Payaya, que iniciou sua palestra entoando canções de esperança para uma culminância de saberes tradicionais e científicos. “Não consigo discutir uma transição socioambiental sem considerar a América como área prioritária a ser preservada. Precisamos discutir a Amazônia, mas também o litoral e a caatinga. Os povos indígenas têm muito a ensinar, vivemos e resistimos há mais de 500 anos e nossa contribuição é essencial para o avanço da ciência e da tecnologia, com indicativos para descoberta de novas formas de se relacionar com a natureza, e não somente para a preservação das florestas”, afirmou o cacique.

Já a professora Irene Cardoso chamou a atenção para a responsabilidade dos indivíduos, enquanto consumidores, com o sistema agroalimentar. “O agrotóxico mata e altera a vida no solo, e nós consumimos em torno de 7 litros de agrotóxico por ano. Essa responsabilidade também é do consumidor. Nós não pensamos nossos hábitos alimentares e nossa forma de interagir com o sistema agroalimentar, que engloba também todo o sistema da produção, comercialização, beneficiamento e distribuição. Deixamos na mão de poucos para enfrentar todos os problemas dessa rede onde há diversos interesses envolvidos. Os políticos sofrem muita pressão e os agricultores familiares são frágeis e vulneráveis. O Agro, que não é pop, coloca “em xeque” a segurança e soberania alimentar dos povos”, ressaltou Cardoso, acrescentando que a partir do momento que o conhecimento ecológico estiver combinado com a rica cultura e experiência da agricultura inerente aos sistemas agrícolas tradicionais, a agroecologia enquanto ciência interdisciplinar irá prosperar.

Finalizando as discussões da tarde, o agrônomo Wellinton Hassegawa abordou o desenvolvimento rural como um processo social multifacetado e multidimensional de melhoria das condições de trabalho e de vida nas populações rurais. “A nova visão do desenvolvimento rural coloca como estratégia central a abordagem do território, com uma visão multidimensional integrada do processo de desenvolvimento e uma articulação horizontal das políticas públicas e de seus instrumentos de implementação, que promovam a eliminação das desigualdades econômicas e sociais no campo e a preservação do patrimônio ambiental para as novas gerações”, finalizou.

As próximas reuniões do webinário Transição Socioambiental, Ecológica e Econômica terão como temáticas: Educação Ambiental; Saúde; e, Ciência e Tecnologia.