Maíza Andrade - Jornal A Tarde
Colocar cercas para impedir o acesso de animais à área que se pretende reflorestar é uma condição básica para o sucesso da empreitada. Isso, e o plantio das mudas seguindo as orientações dos técnicos da ONG, é tudo que os produtores rurais precisam fazer. Mas o que parece fácil nem sempre é assim.
O técnico agrícola do Gambá, Joilson Borges dos Santos, conta que alguns reflorestamentos não deram certo por falta de boa vontade dos proprietários.
A Fazenda Paraíso foi um dos locais visitados pelos participantes da oficina de produção de mudas nativas para reflorestamento, promovida pelo Gambá e pelo Centro Sapucaia, de 17 a 19 deste mês, em Elísio Medrado. Ali, o plantio de seis mil mudas está modificando o cenário da propriedade, com a vegetação nativa tomando o lugar do pasto em volta de lagoas e nascentes. O dono da fazenda, José Peixoto Barreto, 58 anos, conta que estava com as nascentes desprotegidas.
“Limpei o terreno e eles trouxeram as mudas. Agora, as águas estão mais protegidas”, disse, afirmando se tratar de “uma iniciativa importante”. Para o coordenador do projeto de reflorestamento, Elbano Paschoal, apesar de os resultados já serem visíveis na fazenda, ainda é preciso mais. “Ainda temos que conseguir convencê-lo a fazer a conexão entre as áreas reflorestadas, para a formação de um corredor de biodiversidade, tanto da flora quanto da fauna”, diz. Para ele, mais do que, com a boa vontade do produtor, a recuperação das APPs depende de políticas públicas para que experiências demonstradas em campo sejam ampliadas.
GOVERNO – Na Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), a Superintendente de Biodiversidade e Florestas promove os programas Floresta Bahia Global e Recomposição de Mata Ciliar. Segundo o superintendente Marcos Ferreira, o objetivo é investir na recuperação dos remanescentes dentro dos parques estaduais e da vegetação das margens dos rios. No parque estadual do Conduru (de 9.200 ha), no sul do Estado, mil hectares de antigos pastos remanescentes das fazendas desapropriadas estão sendo reflorestados.
Já a recomposição de mata ciliar (que fica em margens de rios) é um programa que começou no governo passado em alguns locais da Bacia do Rio Paraguaçu. SegundoMarcos, há recursos da ordem de R$ 500 mil na Semarh para projetos nessa área. Os interessados devem enviar projetos técnicos para análise do órgão.
CUMPRIR A LEI –De olho na lei, e mais especificamente no Código Florestal, o promotor Sérgio Mendes, coordenador do Núcleo Mata Atlântica, do Ministério Público Estadual, diz que os promotores estão mobilizados em cobrar o cumprimento da lei que protege as áreas de preservação permanente. “Principalmente nas áreas rurais”, observou ele.
Mendes destaca, contudo, que a ocupação dessas áreas é uma herança cultural. “A civilização começou nas margens de rios, como foi o caso dos rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia.
No Brasil, todas as grandes cidades também”, disse. Apesar de a legislação ter sido definida na década de 60, somente nos últimos anos é que a necessidade de cuidar dessas áreas se evidenciou em função do colapso da água