Bahia avalia 823 espécies de aves

27/08/2013

27.08.2013 - Para avaliar as espécies de aves de acordo com o nível de ameaça de extinção pautado nos critérios estabelecidos pela União Internacional de Conservação da Natureza (UICN) – organização que elabora a lista global de espécies ameaçadas, técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e pesquisadores se reunirão até a próxima sexta-feira (30), em Salvador. A oficina integra o processo de construção da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Bahia e acontece no Hotel Sol Plaza, em Armação.

Para o coordenador do grupo de aves, e pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Caio Graco Machado, a lista será extremante importante para o gerenciamento ambiental do Estado, ajudará na definição de áreas que podem ser utilizadas para reserva naturais, agricultura e indústria. Ele explicou que, para a oficina, os pesquisadores listaram 823 espécies de aves. A avaliação se dará em dois momentos, durante esses cinco dias serão avaliadas 475 aves, e o restante numa próxima oficina, em novembro.

Segundo o pesquisador, a expectativa com relação às aves, é que 60% das espécies estejam sem alguma preocupação de ameaça. Ele cita o exemplo da ararinha azul (espécie endêmica da Bahia) que em 2010, teve sua extinção. “Este trabalho é importante, pois não basta ter apenas as ações nacionais, é preciso que o Estado tenha esta base de informações local para atuar fortemente para barrar novas ameaças de extinção”, pontuou Caio, justificando a importância da lista.

O moderador dos grupos de trabalho, Andrei Roos, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), trabalhou na avaliação de dados de aves da caatinga e Amazônia para construção da lista nacional. Na elaboração da estadual, ele contribui guiando as equipes em aplicar a metodologia alinhada com as avaliações nacionais. “A lista terá a importância para guiar as estratégias de conservação. Servirá para direcionar e alertar a Bahia sobre quais as espécies necessitam de maior nível de ação”, destacou.

O pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) José Carlos Moranti, diz que é fundamental os estados se estruturarem para construir suas listas pautados pela metodologia nacional para que,consigam ter arcabouço e condições de tomar medidas em prol da conservação da fauna e flora. “Para o trabalho, trago a experiência, por meio dos registros e estudos nas comunidades de aves que vem sendo desenvolvidos na região sul e extremo sul da Bahia, onde existem os maiores fragmentos de Mata Atlântica do Estado.

A Lista de Espécies Ameaçadas – É uma exigência da legislação ambiental do Estado, importante ação estruturante da gestão ambiental. O documento terá papel importante no processo de licenciamento ambiental, como também subsidiará a definição de áreas prioritárias para conservação, servindo como uma base de informação para a política de biodiversidade e de unidades de conservação.

A construção da Lista conta com o apoio do Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (Ferfa), Coelba, ICMBio, Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Instituto Dríades de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade, e Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A equipe de pesquisadores que integram a coordenação envolve especialistas nos diversos grupos da fauna e flora das universidades baianas – Uesc, Ufba, Uesb e Uefs – além do acompanhamento de técnicos da Sema por meio da diretoria de Pesquisas Ambientais, e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). 

Fonte: Ascom/Sema