Uma missão do Banco Mundial permanece desta sexta-feira (19) até a dia 25 na Bahia para avaliar e discutir com técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e das secretarias de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir) e do Meio Ambiente (Sema) temas relacionados ao andamento da execução do Projeto Mata Branca no estado. Os debates incluem ainda a contribuição da ciência, tecnologia e arranjos produtivos locais para o desenvolvimento do projeto.
As representantes do BIRD, Judith Lisansky e Agnes Velloso, seguirão semana que vem para o município de Itatim, acompanhadas do coordenador do projeto na Bahia, César Souza, e de técnicos da Sedir e Sema. Lá, irão manter encontros com associações locais e visitar áreas de inselbergs. O termo alemão, que significa 'monte ilha' é um relevo que se destaca em seu entorno já aplainado, caracterizando-se por ser um relevo residual.
Os técnicos vão conferir a situação de quatro morros do município que já são tombados pelo (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas que estão sendo destruídos para a produção de paralelepípedos e brita, desaparecendo com as inscrições rupestres localizadas em seus entornos. O trabalho vem sendo realizado, inclusive, com a utilização de mão-de-obra infantil, segundo denúncias feitas por entidades locais.
O Bird vai avaliar também a possibilidade de financiar parte de um projeto de preservação de dois sítios arqueológicos no município de Curaçá, em conjunto com a Universidade Federal da Bahia. Em um dos sítios, que foi utilizado como cemitério indígena, há fragmentos de ossos e cerâmica. Em outro, foram encontradas gravações e pinturas rupestres. Há uma possibilidade concreta de se criar também uma unidade de conservação ambiental em cada um dos dois municípios atendidos pelo Projeto Mata Branca.
Preservação
Realizado em conjunto pelos governos da Bahia e do Ceará, o Projeto Mata Branca tem como principal objetivo contribuir para a preservação, conservação, uso e gestão sustentável da biodiversidade do Bioma Caatinga nos dois estados, estabelecendo um ciclo eficaz entre as práticas integradas de gestão do ecossistema e a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.
O alcance dos objetivos está alicerçado em três componentes básicos: apoio à gestão integrada do ecossistema, com a participação de instituições públicas e privadas nas instâncias federal, estadual e municipal; e promoção de práticas de gestão integrada do ecossistema, com seleção de áreas piloto onde serão implantados os subprojetos piloto. O terceiro componente do projeto contempla monitoramento, avaliação e disseminação de informações.
O projeto empreende suas ações nos municípios de Curaçá, tendo como foco temático o angico, atualmente sob ameaça de extinção; Jeremoabo, com apoio às ações de proteção da Arara Azul de Lear; Itatim, com restabelecimento de patrimônio comunitário e iselbergs; e Contendas do Sincorá, com apoio às ações na única Floresta Nacional ( Flona) existente no bioma.
Fonte: Agecom