Bahia fortalece intercâmbio com países africanos em abertura de fórum Internacional

26/05/2010

26.05.2010 - Com o objetivo de trocar informações sobre experiências na gestão de recursos hídricos, com foco nas políticas socioambiental, étnico-racial, cultural e de gênero, representantes de cinco países africanos de língua portuguesa participaram, na noite de terça-feira (25), no Hotel Catussaba, em Salvador, da abertura do “II Fórum África Brasil-Bahia pela Sustentabilidade das Águas”. O evento é realizado pelo Governo da Bahia, através do Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) e da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), e será encerrado na quinta-feira (27).

Na plenária de abertura, tanto o secretário Estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, quanto os gestores de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, destacaram a importância de buscar diretrizes, através do intercâmbio de idéias, experiências e tecnologias, para a resolução de problemas socioambientais e econômicos, comum entre as nações presentes.

De acordo com Spengler, o grande desafio do encontro é compartilhar os conhecimentos para garantir a integração de ações, respeitando a realidade de cada região. “Temos quadros de populações que vivem a dois ou quatro quilômetros de rios, mas têm que caminhar estes percursos com uma lata d’água na cabeça para poder beber, cozinhar e tomar banho. Este é um desafio compartilhado com todos os paises aqui presentes”, exemplifica.

O secretário do Meio Ambiente da Bahia salienta que a busca de solução e mecanismos para o enfrentamento das mudanças climáticas requer ampla discussão no encontro, tendo em vista que alguns problemas causados por este fenômeno, a exemplo da desertificação, também são comuns ao Brasil e às nações africanas de língua portuguesa.

“Este fórum constitui uma ata importante para todos nós. Compartilharemos com os projetos de desenvolvimento de gestão das águas, implantados nos países participantes. Esperamos que os resultados consistam em ações participativas concretas”, opinou o diretor geral de Recursos Hídricos do Ministério de Energia e dos Recursos Naturais da República de Guiné Bissau, Inunssa Balde.

Cooperação Sul-Sul - Um dos focos do evento, a Cooperação Sul-Sul, entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa, foi bastante destacada na plenária e sairá mais fortalecida após o fórum. Dados do Ministério das Relações Exteriores comprovam que nos últimos oito anos o Brasil construiu relações comercial e cultural históricas com os países africanos.

“Se a África fosse um país, este estaria entre os nossos quatro maiores parceiros econômicos”, compara o secretário do Departamento de África, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Marcelo Costa. Ele explica que o presidente Lula já realizou visitas oficiais a 20 países africanos e que o Governo Brasileiro abriu 17 novas embaixadas no continente. “Em Brasília, já existem 29 embaixadas de países africanos”, acrescenta Costa.

Experiências Baianas - No âmbito da gestão estadual, o governador Jaques Wagner também costurou uma aproximação histórica com a África, sendo inclusive o primeiro governador da Bahia a realizar visitas oficiais ao continente. As duas edições do Fórum África Brasil-Bahia consolida esta relação e possibilita, além do aprendizado com as experiências positivas e negativas dos países africanos, apresentar a estas nações as ações da gestão de recursos hídricos da Bahia.

O programa Água Para Todos, que já beneficiou mais de 2,5 milhões de pessoas, nas áreas de abastecimento, esgotamento sanitário e saneamento, é um dos projetos de excelência que serão apresentados pela Bahia aos africanos. A consolidação das políticas das legislações estaduais de Recursos Hídricos e de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca também é um avanço significativo da gestão.

Fonte: Ascom / Sema