Sema incentiva criação de Rede de Sementes Florestais Nativas da Mata Atlântica

17/07/2015
Mobilizar viveiristas, coletores de sementes e gestores públicos, para a criação de uma rede de fomento à produção de mudas e reflorestamento nas áreas de Mata Atlântica da Bahia, este foi o objetivo do encontro Semente Junta a Gente, que ocorreu nos dias 16 e 17/07, no Centro Social Urbano de Cruz das Almas. O evento, que contou com o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), é parte do Projeto Ações Ambientais Sustentáveis, desenvolvido pelo Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá).
 
Representando a Sema o diretor de Políticas de Biodiversidade e Florestas, Murilo Figueiredo, destacou a importância da organização de uma rede para o fortalecimento da comercialização de sementes e mudas no Estado. "A Sema utiliza mudas nativas em diversos projetos de restauração florestal, além de prestar apoio técnico aos viveiristas. É um momento ímpar para os produtores, tendo em vista a previsão de um aumento significativo na demanda de mudas e sementes, por parte das propriedades que tiverem passivos ambientais detectados através da consolidação do Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (Cefir)".
 
De acordo com o coordenador executivo do Gambá, Renato Cunha, o encontro proporcionou uma aproximação e troca de experiências entre diferentes comunidades. “Nosso objetivo é promover a integração entre produtores de mudas, compradores e órgãos da gestão ambiental, com o intuito de propiciar mais agilidade e eficiência no diálogo e nas relações entre todos os envolvidos na criação da Rede de Sementes Florestais Nativas", pontuou.  
 
Durante a programação os cerca de 100 participantes assistiram a palestras abordando temas sobre experiências dos movimentos sociais no trabalho em rede e a regularização dos viveiros florestais. As apresentações foram realizadas por representantes do assentamento Terra Vista, do Projeto Arboretum e da Rede de Sementes do Cerrado.
 
Um exemplo em práticas agroecológicas, o representante do assentamento Terra Vista (município de Arataca), Joelson Oliveira, realizou uma apresentação detalhada das atividades, de produção de mudas e restauração florestal, praticadas pelos moradores do assentamento. "Trouxe para o encontro nossas vivências na Teia Agroecológica dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica, uma rede formada desde 2012, que abrange do recôncavo ao extremo sul do Estado. Além disso, distribuí alguns produtos à base de cacau que cultivamos no sistema cabruca, preservando a biodiversidade da Mata Atlântica".
 
Segundo o cacique e representante da comunidade indígena Payaya, do município de Utinga, Juvenal Payaya, para haver continuidade nos trabalhos de coleta das sementes e mudas é fundamental que esta atividade proporcione renda e melhoria na qualidade de vida dos produtores. "Conseguimos construir um viveiro de mudas nativas em nossa comunidade no intuito inicial de restaurar as margens dos rios Utinga e Paraguaçu”. 
 
“Atualmente trabalhamos com cerca de 40 mil mudas e o viveiro tem capacidade para 120 mil mudas ano. É uma atividade que requer tempo e dedicação, se não tivermos retorno financeiro a produção fica inviável. Nossa expectativa com a criação da rede é que ela possa nos representar junto aos compradores e ao poder público", ressaltou Payaya. 
 
O Projeto Ações Ambientais Sustentáveis atua na região do Recôncavo Sul Baiano e tem como principais ações o reflorestamento de Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas, a implantação de cercas vivas, a sensibilização das comunidades locais para a conservação ambiental e a avaliação de fixação de carbono.
 
A Rede de Sementes Florestais da Mata Atlântica é um sistema de parceria que está sendo formado com a participação de várias instituições para garantir as condições necessárias para a produção de sementes florestais. 
 
Fonte: Ascom/Sema