Em Brasília, Sema participa de seminário sobre oceano e clima

21/06/2023
A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) participa nesta terça-feira (20), por meio da Diretoria de Educação Ambiental para Sustentabilidade (DIEAS), do Seminário “Oceano e Clima: IPCC, ambientes vulneráveis e desafios”, em referência ao Dia Mundial do Oceano, comemorado no dia 08 de junho. 

O evento que acontece no auditório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ (ICMBio), é realizado pelo Departamento de Oceano e Gestão Costeira da Secretaria Nacional do Clima do MMA e pelo próprio ICMBio. A oceanógrafa e técnica da Sema, Alice Reis, representa a pasta ambiental no seminário.

Dividido por temas, no período da manhã, o seminário contou com a participação da professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Letícia Cotrim, falou sobe o histórico do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A professora salientou que apesar de estarmos falando em Mudanças Climáticas desde 1988, somente em 2015 foi citado o papel crítico dos Oceanos nesse tema. Ainda segundo Cotrim, não avançamos praticamente nada no controle da emissão de carbono na atmosfera e os impactos nos oceanos já são reais e irreversíveis no tempo de vida humano, mesmo se zerássemos as emissões hoje. A zona costeira é especialmente sensível às alterações no clima como eventos de erosão, elevação do nível do mar e enchentes. 

Também na primeira etapa do seminário o professor João Nicolodi da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) fez uma avaliação sobre a vulnerabilidade na zona costeira. O professor mostrou como é elevado o gasto com desastres erosivos e reforçou a importância da gestão de sedimentos nos planos de bacia para minimizar desastres erosivos e citou o Programa Nacional para Conservação da Linha Costeira (Procosta), instituído pela portaria Portaria nº 76, de 26 de Março de 2018, como forma de planejar adaptações a nível estadual. 

Segundo a representante da Sema no Evento, Alice Reis, o tema abordado pelo professor João Nicolodi a Bahia tem se debruçado bastante nos últimos anos no assunto. “Este tema é especialmente importante para a Bahia que vem sofrendo nos últimos anos com desastres erosivos causados já pelas mudanças no clima somadas às alterações no uso do solo”, lembrou.

Já no período da tarde a professora Beatrice Padovan Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o professor Tito Lotufo, da Universidade de São Paulo (USP), abordaram sobre “Recifes de Coral: realidades em um oceano mais quente” principalmente à sedimentação por fontes terrestres. Os professores pontuaram que os corais brasileiros são mais resilientes que os encontrados na região indo-pacífica, mas já estão apresentando sinais de que não estão aguentando as pressões, com a redução da cobertura de corais e a alteração de cobertura de coral para alga já sendo vista em diversos lugares. Esse tema retornou um pouco do que foi dito na apresentação da manhã sobre a necessidade de se fazer a gestão adequada de sedimentos nos planos de bacia, pois os corais são diretamente afetados pelo que lançamos no mar e qual a sua velocidade, escala e intensidade.

Referência nacional em manguezais, a professora Yara Shaffer Novelly, também da USP, comentou sobre “Manguezais e Carbono Azul”. Em sua apresentação ela explicou sobre a importância dos manguezais e marismas como berçário da fauna marinha que retorna como produtividade pesqueira, mas também como carbono azul, sendo o principal sumidouro de carbono lançado na atmosfera. Porém, essas vegetações vêm sofrendo, devido às mudanças climáticas, um processo chamado de "mangrove encroachment", o qual o mangue avança sobre as marismas e as substitui, impactando em toda estrutura trófica.

Para finalizar as apresentações, um tema que permeou todas as discussões do dia foi a necessidade de compatibilizar a necessidade de troca da matriz energética com a conservação dos Oceanos, entendendo que diversas das alternativas de descarbonização acabam gerando mais impactos aos oceanos. Com isso em mente, foi lançado no final do evento o PRIM PGMAR [VEJA AQUI], programa que visa evitar, mitigar e compensar impactos de atividades socioeconômicas na biodiversidade marinha a partir de uma hierarquização de impactos ambientais. 

Fazendo um balanço geral sobre a participação enquanto técnica da Sema no seminário, Alice Reis avalia que foi uma experiência ímpar e, somado aos seus conhecimentos no tema, serviu para agregar e ajudar a gestão ambiental do Governo do Estado baiano. “Eu achei o evento muito proveitoso, conversei com grandes nomes da área e voltei com a cabeça focada na missão de conciliar desenvolvimento e conservação”.

Na oportunidade outro documento também foi lançado: “Qual o Oceano do Futuro?” que pode ser acessado clicando AQUI.