Entre os dias 27 e 28 de maio, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) participou da 2° Oficina Setorial no contexto do "GTT Oceanos e Zona Costeira" do Plano Clima Adaptação, que ocorreu em Brasília, na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). O encontro contou com palestras de contextualização do professor Moacyr Araújo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Wilson Cabral do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Ana Sanches da Universidade de São Paulo (USP) e Leandra Gonçalves da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Na oficina foi discutido o plano de adaptação às Mudanças Climáticas, que contará com ações baseadas em risco, parte do consenso de que já estão atrasadas para enfrentar as mudanças climáticas Atualmente, os financiamentos internacionais focam nas ações de mitigação, já que possuem caráter global, que beneficiam todo mundo. Essas ações de adaptação endereçam comunidades locais e os impactos das mudanças climáticas na escala local ou regional.
A presença da oceanógrafa Alice Reis, da Superintendência de Políticas e Planejamento Ambiental (SPA) da Sema, foi destacada durante a reunião. Ela ressaltou que para enfrentar as mudanças climáticas é necessário fazer mapeamentos participativos das vulnerabilidades e desenvolver estratégias transformacionais. “Que aumentem a resiliência e diminuam as vulnerabilidades e exposição aos riscos e sejam baseadas em ecossistemas, precisa levar em consideração o conhecimento científico dos povos e comunidades tradicionais promovendo uma adaptação sustentável ao longo do tempo”, explicou Alice.
Alice destaca que durante o processo algumas ações propostas foram entendidas como prioritárias e ações que promovam a restauração de ecossistemas costeiros e marinhos. “Além da ampliação de Unidades de Conservação, considerando a necessidade de expansão adaptativa, implantação do PROCOSTA Alt-Bat, regularização fundiária e elaboração de planos que salvaguardam os povos e comunidades tradicionais, normalização para o planejamento e execução de obras costeiras, monitoramento e criação de estruturas de financiamento”, acrescentou.
A Bahia está situada em uma região de águas quentes, que tenderão a aquecer mais ainda. Esse aquecimento levará à expansão do volume da água do mar regionalmente, criando um efeito sinérgico entre o aumento do nível do mar causado pelo derretimento das calotas polares e pela expansão do volume devido ao aquecimento. Paralelamente à elevação do nível do mar, espera-se também uma redução de 20 a 40% na precipitação média até 2100. Tal redução na precipitação deve reduzir também a vazão dos rios e a disponibilidade de recursos hídricos.
Desta forma, a partir dos modelos atuais, a Bahia deverá se preparar para adaptar à uma menor disponibilidade hídrica, salinização de áreas estuarinas, avanço das linhas de maré, erosão costeira e impactos na Biodiversidade marinha sensíveis a alteração na salinidade e temperatura nos seus Planos locais de adaptação.