O Núcleo de Pesquisa em Economia Circular (NUPEC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a BADAME Consultoria, empresa especializada em projetos e programas socioambientais, a ONG Centro de Arte e Meio Ambiente (Cama) e o Fórum Estadual Lixo e Cidadania da Bahia, promoveram nesta terça-feira (18) uma reunião híbrida (online e presencial) com a presença de representantes da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e de diversas cooperativas de catadores de material reciclável da capital e do interior do estado para discutir o processo de reciclagem do vidro em Salvador e Região Metropolitana, além de analisar os resultados de um case pioneiro realizado em parceria com duas cooperativas e uma indústria recicladora.
Realizado na sede administrativa do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5) em Salvador, o encontro buscou fomentar o diálogo entre cooperativas, poder público, indústrias e demais envolvidos na cadeia produtiva de embalagens de vidro. Na ocasião, foram apresentados os resultados da uma experiência que promove a venda direta do vidro diretamente para a indústria recicladora Owens-Illinois (O-I), sem a necessidade de intermediadores.
A iniciativa desenvolvida em parceria com a Cooperativa de Reciclagem e Serviços do Estado da Bahia (COOPERES), situada no bairro da Ilha Amarela, e a Cooperativa de Catadores Agentes Ecológicos de Canabrava (Caec), juntamente com parceiros da indústria que trabalham com o vidro oferece mais reconhecimento aos cooperados, com o aumento do valor do preço desse tipo de material e a utilização da logística reversa para transformar a reciclagem do vidro na Região Metropolitana de Salvador, através do processo de reciclagem dos materiais pós-consumo, garantindo o retorno ao ciclo de produção e destinação e reduzindo os impactos no meio ambiente.
Durante a reunião, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer detalhes sobre a operação, desafios enfrentados e conquistas alcançadas. Para a superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da secretaria (Sida), Vânia Almeida, iniciativas semelhantes ao case devem ganhar cada vez mais impulso com a aprovação de um decreto estadual que trata da logística reversa. “A minuta de decreto da Logística Reversa, em fase final vai tornar obrigatório para que as indústrias compensem sua produção dentro do estado. Desse modo a demanda da logística reversa local será atendida e as cooperativas beneficiadas. Isso vai favorecer a possibilidade do vidro ser reutilizado nas cooperativas.”, destacou a superintendente.
Já a diretora de Política e Planejamento Ambiental da Sema (DIPPA), Luana Ribeiro, destacou a relevância do projeto e os esforços conjuntos para otimizar a logística da coleta e reciclagem do vidro, como a regulamentação dos Pagamentos de Serviços Ambientais (PSA). “O governo do estado, especialmente a Sema, tem uma grande preocupação e tem se articulado para resolver esse problema. A nossa idéia é, quando o pagamento para os serviços ambientais for regulamentado, fomentar especialmente materiais como vidro e papelão, que têm um valor menor associado. Isso reforça a questão de subsidiar o pagamento para a coleta desses resíduos, além de fortalecer esse movimento da indústria para coletar o vidro”, completou.
Os sócios-proprietários da BADAME, Moises Leão Gil e Otavio Leme, responsáveis pela consultoria do projeto e pela apresentação aos participantes reforçaram que esta foi uma oportunidade para discutir estratégias para a expansão e consolidação deste projeto, integrando mais atores da cadeia produtiva e incentivando práticas sustentáveis. "A Badame tem como uma das suas bandeiras, o fortalecimento das organizações de catadores. E a gente entende que isso se traduz por meio da melhoria da qualidade de trabalho e da renda das cooperativas que a gente atua. Nisso, consideramos três formas principais de melhorar a qualidade do trabalho e renda das cooperativas: prestação de serviços remunerados de coleta seletiva, tanto para ente público como privado; verticalização da produção, beneficiando e processando o material que coletam; e venda direta para a indústria, eliminando intermediários.", afirma Moises.
"Este projeto, com a COOPERES e a Caec, visa justamente a venda direta do vidro das cooperativas para a indústria, o que pode aumentar o ganho em até 300%. A partir da identificação dessa situação, fizemos diversos levantamentos e estudos, culminando na venda inicial do vidro para uma indústria em Recife. Com isso, identificamos diversas melhorias no processo, e hoje apresentamos essa experiência e possibilidades de expansão para outras cooperativas em Salvador e região. A Sema tem participação fundamental nesse processo, tanto na articulação institucional quanto na implementação da política de logística reversa estadual, que trará grandes melhorias para os catadores no estado.", completa Otavio.
A participação da Sema colabora com o fortalecimento do debate em torno do processo de reciclagem de vidro, que apresenta inúmeros benefícios ambientais e econômicos. Como a redução do consumo de energia e matérias-primas, a diminuição do volume de resíduos destinados a aterros sanitários e a geração de oportunidades de emprego nas cooperativas de reciclagem. O que representa um passo em direção para a promoção da sustentabilidade em Salvador e no estado.