Aconteceu nesta quinta-feira (10) a 12ª Reunião Ordinária do Fórum Baiano de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade (FBMC-Bio), de forma virtual. O evento contou com a presença de representantes de órgãos da administração estadual como a diretora-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Maria Amélia de Coni e Moura Mattos Lins e da coordenadora da Secretaria Executiva dos Colegiados Ambientais (SECEX) da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Mariana Mascarenhas, além de outros órgãos da administração estadual e representantes da sociedade civil organizada. A reunião trouxe como uma de suas principais pautas a apresentação dos resultados da atualização do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (IGEE) de 2024.
O especialista em políticas ambientais da Sema, Guido Brasileiro, afirmou na apresentação que os resultados indicados pelo levantamento, bem como as metodologias utilizadas para a coleta e análise dos dados foram pensadas para dar os fundamentos técnicos necessários para que o estado alinhe suas metas de emissões, seguindo as diretrizes nacionais e internacionais. "O detalhamento por categorias dentro de cada setor é fundamental para compreendermos onde estão as maiores fontes de emissões. O setor de mudança de uso da terra permanece como um dos maiores emissores, mas também abre possibilidades concretas para mitigar emissões, especialmente através de ações de conservação e restauração ambiental.", disse.
Ele destaca ainda que o inventário é uma ferramenta essencial para monitorar as fontes de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE), ajudando a identificar setores críticos que necessitam de ações de mitigação mais urgentes e que os dados apresentados poderão indicar tanto avanços quanto desafios no cumprimento das metas climáticas estabelecidas para o estado. "Os resultados do inventário mostram que temos desafios importantes pela frente, mas também oportunidades valiosas para avançar com soluções de baixo carbono. A partir desses dados, é possível direcionar ações que incentivem a inovação e promovam o desenvolvimento sustentável.", reforça Guido.
Outro destaque da reunião foi a participação do Coordenador Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima (FBMC), Sérgio Xavier, que apresentou as iniciativas desenvolvidas pelo fórum nacional e destacou a necessidade de ampliação da integração entre os fóruns brasileiro e baiano e suas respectivas câmaras temáticas. “Nós discutimos o modelo de funcionamento que integra as câmaras temáticas nacionais com as câmaras temáticas do Estado da Bahia para que a gente formule em conjunto propostas de políticas públicas em diversos setores, agregando diversos setores para apresentar para o governo federal. Então essa interação ela é fundamental por viabilizar essa integração de forças, de ideias e conhecimentos e criando ali um canal estruturado para que todos os setores da sociedade possam formular propostas que têm uma relação direta com as questões ambientais e climáticas.”, afirma.
Xavier também reforçou as discussões em que o FBMC está envolvido para a criação de modelos e negócios que possam reduzir as emissões de carbono e colaborar com a transição de modelo econômico dentro do setor industrial. Destacando a criação do Laboratório de Economia Regenerativa no município de Paulo Afonso, com o intuito de desenvolver novos modelos de desenvolvimento para restaurar ecossistemas, recompor o equilíbrio climático, fortalecer diversidades e eliminar desigualdades na região norte do estado, especialmente nas áreas próximas ao Rio São Francisco. “O Rio São Francisco está tendo uma acelerada degradação e nós precisamos criar um tipo de economia que, em vez de deixar o Rio ainda mais pressionado, possa gerar ali uma regeneração, uma regeneração de áreas que hoje estão degradadas. E o laboratório possibilita juntar as visões científicas, dos pesquisadores, empreendedores, gente que formula política pública para imaginar modelos e negócios. Parece algo impossível de fazer, mas a gente no laboratório já está encontrando diversas possibilidades, como no turismo, que pode ter ali conexões com educação ambiental, com regeneração de áreas degradadas, porque turismo não vive onde a natureza é degradada.”, completa.
Também houve espaço para as atualizações sobre a organização da IV Conferência Estadual de Meio Ambiente (IV CEMA), prevista para acontecer nos dias 11 e 12 de março de 2025. Com o tema central “Emergência Climática: o desafio da transformação ecológica”, a IV CEMA será um marco importante para o fomento do debate sobre a crise climática na Bahia e no Brasil, além de contribuir para a implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC).
O evento do FBMC-Bio foi uma oportunidade para os envolvidos no fórum baiano discutir e propor ações concretas para enfrentar os desafios ambientais, com foco em sustentabilidade e conservação da biodiversidade. A reunião buscou fortalecer o diálogo entre os diferentes atores envolvidos na pauta ambiental, incluindo organizações não governamentais, setor privado e o poder público.
Fotos: ASCOM/Sema