Neste sábado (1), Dia Mundial dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, o Ecofolia Solidária segue promovendo impacto positivo para os trabalhadores que atuam na coleta seletiva durante o Carnaval da Bahia. No ponto de entrega voluntária localizado no Nordeste de Amaralina, foram recolhidos, na última sexta-feira (28), 594,40 kg de latas e 328,90 kg de plástico, beneficiando 154 catadores cadastrados na iniciativa.
Além de valorizar o trabalho dos recicladores, o projeto fortalece a cadeia da reciclagem e melhora as condições de trabalho da categoria. O presidente da Cooperativa de Reciclagem (CRG Bahia) – cooperativa responsável pelo ecoponto do Nordeste de Amaralina –, Rodeval Santos, destaca as mudanças proporcionadas pelo programa.
"Os catadores de rua trabalhavam sem luva, sem bota, sem camisa. Muitos chegavam aqui de chinelo. Agora, com esse trabalho em parceria com o Governo do Estado e o Ecofolia, eles têm equipamentos de proteção e recebem um preço justo pelos materiais. Antes, vendiam para atravessadores que não pagavam um valor adequado. Hoje, têm uma base de pagamento justa e um suporte maior", afirmou.
O impacto da iniciativa é sentido diretamente pelos catadores, que agora recebem um retorno financeiro mais digno pelo trabalho realizado. Agnaldo Ramos, reciclador há 10 anos, relata:
"Antes, vendia para o ferro-velho, mas lá pagavam muito barato. Aqui, o preço é justo. Hoje mesmo consegui R$100,00, um valor que eu não esperava ganhar. Isso ajuda muito a pagar as contas e comprar comida. Estou feliz", declarou.
Reconhecimento da categoria e oportunidade de transformação
Catadora há 18 anos e mãe de cinco filhos, Fabilene Jones compartilha o seu depoimento destacando a importância da cooperativa em sua vida. "É daqui que eu tiro sustento para pagar as contas e dar uma vida melhor para meus filhos. Infelizmente, nossa categoria não tem muita visibilidade, e muitas pessoas nos taxam de forma errada. No Carnaval, consigo pagar até 80% das dívidas que acumulo durante o ano", afirmou.
Sobre o Dia Mundial do Catador, Fabilene reforça a necessidade de mais visibilidade e melhores condições de trabalho. "Gostaria que a sociedade nos desse mais reconhecimento. Quando estamos fardados, o respeito aparece, mas quando não estamos, é diferente. Já conquistamos algumas melhorias, como equipamentos de proteção e banheiros, mas ainda precisamos de acomodações melhores durante a festa. Somos nós, os catadores, que fazemos o Carnaval acontecer em Salvador e em outros estados", concluiu.
Já para Simone Almaço, professora e cuidadora há 12 anos, a reciclagem se tornou uma importante fonte de renda complementar. Atualmente, o dinheiro que recebe com a coleta seletiva ajuda na reforma de sua casa.
"Os recicladores merecem reconhecimento, porque fazem um trabalho árduo e necessário. Respeitar o catador é reconhecer a importância do que fazemos por todos."
Simone não tinha vínculo com a reciclagem até conhecer um projeto governamental voltado à inclusão produtiva. Ela conta como essa experiência transformou sua percepção.
"Aprendi a respeitar os recicladores e entender a importância desse trabalho para o meio ambiente. Antes, eu dizia ‘catador de lixo’, mas hoje sei que são profissionais essenciais. Eles merecem respeito", reforçou.
Economia circular no Carnaval
Durante o Carnaval, três principais tipos de materiais são reciclados: alumínio (latinhas), que se transformam em novas latinhas; PET (garrafas plásticas), que viram novas embalagens ou produtos como vassouras e barcos; e Plástico mole (embalagens de refrigerante), que são reprocessadas na indústria do plástico.
A diretora de Planejamento Ambiental da Secretarias do Meio Ambiente (Sema), Luana Pimentel, uma das coordenadoras da iniciativa, enfatiza o impacto da economia circular na redução de resíduos e na geração de renda. "Cada tipo de material tem uma destinação específica. Esse é o momento em que o resíduo vira matéria-prima para novos produtos. Essa é a ideia da economia circular, tirar o resíduo da rua, do meio ambiente ou do aterro e devolvê-lo à indústria da reciclagem", salientou. Ela cita ainda exemplos de materiais reaproveitados que fogem da cadeia tradicional de resíduos, como lonas e banners de campanhas e eventos, que são transformados em bolsas e mochilas.
O Ecofolia Solidária é coordenado pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), em parceria com a Sema e as Secretarias de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Desenvolvimento Rural (SDR), Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), Políticas para as Mulheres (SPM), além das Voluntárias Sociais, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).
Foto: Tiago Jr/Ascom Sema