Baía de Todos-os-Santos é reconhecida como Área Importante para Tubarões e Raias pela IUCN

09/05/2025
Baía de Todos-os-Santos
Foto: Matheus Lemos - Ascom Sema/Inema

Com seus vastos manguezais, rica biodiversidade e grande importância histórica, econômica e cultural para o estado da Bahia, a Baía de Todos-os-Santos (BTS) recebeu, nesta semana, mais um importante reconhecimento internacional. A região foi oficialmente designada, na última terça-feira (6), como uma Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), consolidando-se como referência global na proteção de espécies marinhas ameaçadas.

As ISRAs (Important Shark and Ray Areas) são áreas identificadas como essenciais para a sobrevivência de espécies de tubarões e raias, considerando fatores como reprodução, alimentação, agregação e rotas migratórias. A designação é resultado de um rigoroso processo de avaliação científica realizado em agosto, por pesquisadores da região da Oceania, que analisaram mais de 350 áreas candidatas — das quais 238 foram selecionadas para revisão final. A Baía de Todos-os-Santos foi aprovada e agora integra o e-Atlas global das ISRAs (www.sharkrayareas.org).

Responsável pelo gerenciamento costeiro da BTS, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) celebra o reconhecimento como um marco para a conservação da biodiversidade marinha no estado. Segundo o diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Jordão Porto, a designação reforça a importância ecológica da região e posiciona a baía no cenário internacional da conservação marinha.

“A Baía de Todos-os-Santos é um dos principais berçários naturais da nossa costa. Esse reconhecimento destaca o papel da BTS como um território estratégico para a reprodução de espécies marinhas ameaçadas e orienta o fortalecimento das políticas públicas voltadas à gestão costeira e marinha. A baía passa a ser vista com outros olhos: como um espaço-chave para manter populações de tubarões e raias, espécies que indicam a saúde dos ecossistemas costeiros”, afirma Tiago.

A região abriga habitats críticos como manguezais e lodaçais com sedimentos variados, especialmente relevantes no período seco (de setembro a fevereiro), quando há maior influência da água marinha. Essa dinâmica torna a região um importante refúgio para espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-guitarra brasileiro (Pseudobatos horkelii) e a arraia-de-nariz-longo (Hypanus guttatus), que utilizam o local como área de reprodução.


Impacto na gestão ambiental

Para a oceanógrafa que atua no Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro (GERCO) da Sema, Alice Reis, a criação das ISRAs é uma resposta inovadora da IUCN à crise de conservação enfrentada pelos condrictes - grupo que inclui tubarões, raias e quimeras - e reforça o papel estratégico da BTS.

“Essa nova classificação é resultado de um esforço técnico-científico internacional que agora se conecta às políticas ambientais estaduais. Ela mostra o quão importante a nossa baía é para a manutenção da biodiversidade de organismos de topo da cadeia trófica, como tubarões e arraias ameaçados de extinção que utilizam a região para se reproduzir”, destaca Alice.

Além disso, o reconhecimento também contribui para o fortalecimento de políticas públicas de conservação e de pesca sustentável. "Muitas espécies de tubarão ameaçadas de extinção são comercializadas ainda em estado juvenil, com o nome de cação. A designação dessa área como relevante para a reprodução das espécies, associado a ações voltadas para a educação ambiental de pescadores e consumidores fortalece as políticas de conservação da biodiversidade da zona costeira”, explica a oceanógrafa.

Embora a BTS já esteja inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA), esse novo status amplia o foco da conservação marinha e orienta novas ações de gestão, voltadas para a educação ambiental e divulgação científica sobre essa nova classificação. "Essas iniciativas são fundamentais para transversalizar a proteção de espécies tão importantes para o equilíbrio ecológico e para o avanço da gestão costeira na fronteira marinha, e devem estar integradas ao Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro da Secretaria”, conclui Tiago Porto.

 

Foto: Matheus Lemos - Ascom Sema/Inema