Preservar a Amazônia é proteger também a Bahia

05/09/2025
Preservar a Amazônia é proteger também a Bahia
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Neste 5 de setembro, celebra-se o Dia da Amazônia, data que nos lembra a importância dessa floresta para todos nós. Ela foi escolhida em 1850 e, em 2007, o Brasil instituiu oficialmente a celebração como forma de valorizar e proteger o bioma amazônico.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e abriga uma diversidade incrível de plantas e animais. Estima-se que nela existam cerca de 40 mil espécies de plantas, 400 mamíferos e 1.300 aves, além de milhares de espécies de peixes em seus rios. A região também abriga a maior bacia hidrográfica do planeta e tem papel fundamental na regulação do clima, garantindo chuvas essenciais para todo o continente.

Mas, ao mesmo tempo em que é um tesouro natural, a Amazônia enfrenta grandes desafios. O desmatamento, causado principalmente por atividades como cultivo, pecuária, mineração e extração de madeira ilegal, ameaça o equilíbrio climático e a sobrevivência da floresta. Estudos apontam que já perdemos cerca de 20% da Amazônia brasileira e 17% de todo o bioma, o que acende um alerta sobre a urgência da preservação.

O diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, reforça que a Amazônia deve ser vista como um patrimônio estratégico também para a Bahia. Ele lembra que a floresta tem influência direta sobre o clima de estados distantes: “parte dos ciclos de chuvas que ocorrem em regiões ao sul da Amazônia é fruto da sua vegetação”. A redução dessa cobertura florestal pode agravar secas em áreas já vulneráveis, como o Semiárido baiano. Para ele, a destruição da floresta “já está alterando o clima não só na própria região amazônica, como também em outras partes do país”.

Essas mudanças já são perceptíveis no território baiano, especialmente na frequência de eventos extremos. Topázio fala que “períodos de cheias e secas que antes ocorriam em intervalos maiores hoje já se observam em intervalos menores”, refletindo os impactos da degradação amazônica. Ele também chama atenção para o fato de que a redução da umidade transportada pela floresta pode diminuir as chuvas em outros estados, prejudicando setores essenciais como a agricultura e a geração de energia.

Além dos impactos imediatos, o avanço do desmatamento contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa e para a perda de biodiversidade, colocando em risco espécies ainda desconhecidas, que podem ter grande valor ecológico e até econômico para as futuras gerações. “É preciso repensar o modelo econômico aplicado na região”, afirma o diretor, destacando que práticas de exploração inadequadas têm acelerado a destruição da floresta. Ele defende que políticas públicas firmes são indispensáveis para garantir que a Amazônia continue cumprindo seu papel essencial para o equilíbrio climático e a qualidade de vida no planeta.

Os efeitos da degradação amazônica chegam a diferentes partes do Brasil, inclusive à Bahia. Juliana Rocha, da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), ressalta que a floresta exerce papel direto sobre os regimes de chuva do estado. “A Secretaria do Meio Ambiente reconhece a Amazônia como um bioma estratégico para o equilíbrio climático. O transporte de umidade feito pelos chamados rios voadores é fundamental para as chuvas em diversas regiões da Bahia, especialmente durante o verão”, explica.

Outro ponto de atenção está nos reflexos econômicos e ambientais do desmatamento e das queimadas. Para os meteorologistas Cláudia Valéria e Aldírio Almeida, da Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP), os impactos são sentidos em diferentes áreas da economia baiana. “O desmatamento e as queimadas da Amazônia afetam diretamente a agricultura, a geração de energia e a segurança hídrica. Além disso, intensificam as mudanças climáticas e aumentam os riscos de estiagens prolongadas”, destacam.

Cuidar da Amazônia é uma responsabilidade de todos. Nós podemos contribuir valorizando políticas de conservação, apoiando comunidades tradicionais — como indígenas, ribeirinhos e seringueiros — e, principalmente, levando informação adiante para que mais pessoas entendam a importância desse patrimônio natural. Conversar sobre a floresta, especialmente com crianças e jovens, é uma forma de formar as novas gerações que vão cuidar do futuro.

Por isso, o Dia da Amazônia nos convida a lembrar que essa floresta não pertence apenas a uma região: ela é essencial para o Brasil e para o mundo. Preservar a Amazônia é preservar a vida no planeta.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema