Na manhã desta quarta-feira (14), a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), em conjunto com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVES), realizou reunião para discutir estratégias de enfrentamento ao peixe-leão, espécie exótica invasora, de importância médica, registrada pela primeira vez na Bahia em fevereiro de 2025. Até o momento, já foram feitos registros da ocorrência dessa espécie nos municípios de Salvador, Itaparica, Cairu, Maraú, Prado e Cumuruxatiba.
Diante deste cenário, o diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Porto, destacou que o Estado tem avançado no planejamento de ações de enfrentamento ao peixe-leão, que estão sendo compiladas em um documento técnico orientador, que deve ser publicado ainda no primeiro semestre deste ano, que prevê ações de educação ambiental, monitoramento e controle da bioinvasão, além de orientações sobre formas seguras para captura e manuseio da espécie.
“Dentro dessa estratégia, estão previstas diversas ações. Uma delas é a execução de turmas de capacitação sobre manejo seguro da espécie, voltado especialmente para pescadores e mergulhadores, que são o público que lida diretamente com essa realidade. Um dos pontos centrais do curso será justamente a orientação sobre como agir em caso de acidentes, porque precisamos estar preparados para essas situações”, afirmou.
Porto também ressaltou que está em construção uma parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para que os exemplares capturados sejam destinados a pesquisas científicas, especialmente genéticas. Segundo ele, a iniciativa inclui a elaboração de orientações sobre o acondicionamento adequado do material e a produção de materiais educativos permanentes, como cartazes e campanhas informativas, para apoiar pescadores, mergulhadores e demais envolvidos.
O peixe-leão é originário da região do Indo-Pacífico e representa uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos devido ao seu alto potencial reprodutivo, à ausência de predadores naturais e ao comportamento alimentar voraz, que compromete populações nativas de peixes e crustáceos. Além dos impactos ambientais, a espécie também oferece riscos à saúde humana, pois possui espinhos venenosos capazes de causar acidentes graves.
Durante a reunião, a técnica do CIEVES, Maria Lúcia, alertou para o aumento da exposição de pessoas sem o devido conhecimento técnico em uma área extremamente ampla como o litoral baiano, que reúne públicos diversos e em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, o tema precisa ser debatido de forma preventiva.
“O principal objetivo é discutir os riscos associados ao peixe-leão e também a outros animais ou organismos exóticos que possam representar ameaça à saúde humana. No CIEVES, atuamos no monitoramento de eventos inusitados. Caso algum registro ocorra, ele será tratado como uma emergência, classificado como um evento de Saúde Pública de alto risco, já que não temos histórico anterior desse tipo de ocorrência”, explicou.
Espécie exótica do Indo-Pacífico, o peixe-leão pode apresentar crescimento populacional acelerado. Na fase adulta, pode atingir até 47 centímetros de comprimento e possui até 18 espinhos venenosos.
A oceanógrafa da Sema, Mariana Fontoura, relembrou que, a partir de 2025, a equipe passou a receber diversas notificações sobre a presença de espécies exóticas e invasoras, com destaque para o peixe-leão, por meio de um grupo que reúne pesquisadores, órgãos públicos e representantes da sociedade civil. “Essas notificações foram fundamentais para que o poder público pudesse compreender a dimensão do problema e agir de forma articulada. A troca de informações entre pesquisadores, órgãos ambientais e a sociedade civil fortalece o monitoramento e permite respostas mais rápidas e eficazes diante da presença do peixe-leão em nosso litoral”.
Em caso de avistamento não tente capturá-lo. No caso da pesca acidental do peixe-leão, não devolva para o mar. Em ambas as situações, o importante é agir rapidamente e entrar em contato imediato com o Inema pelo Disque Denúncia 0800.071.1400, pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br ou pelo Resgate no What’s App 71 99661.3998.