A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) participaram, na última quarta-feira (25), de uma reunião técnica regional com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para discutir os avanços do Mapeamento dos Manguezais do Brasil, desenvolvido no âmbito do Pro-Manguezal. O encontro, realizado no formato virtual, reuniu equipes técnicas de órgãos federais e estaduais, com o objetivo de alinhar metodologias, apresentar dados preliminares e coletar contribuições para a consolidação do produto nacional.
A Bahia esteve representada por técnicos da Sema e do Inema, com coordenação técnica da oceanógrafa Mariana Fontoura, que atua no Gerenciamento Costeiro da Sema (GERCO) e a contribuição do biólogo e especialista em Geoprocessamento, Diogo Caribé. Pelo Inema, o geógrafo Adriano Cassiano, responsável pelo setor de geoprocessamento do Instituto, ressaltou a importância do encontro como oportunidade para integrar esforços e contribuir, enquanto instituição, para um produto transversal aos estados.
Durante a reunião, foram apresentados o histórico do projeto e os resultados parciais do mapeamento, construído de forma colaborativa e contínua, com foco no monitoramento qualificado dos manguezais brasileiros. Segundo os dados preliminares de 2024 apresentados, a Bahia ocupa a quarta posição entre os estados brasileiros com maior área de manguezais, com cerca de 83,9 mil hectares, ficando atrás apenas do Maranhão, Pará e Amapá. O levantamento evidencia a forte concentração desses ecossistemas na região Norte e no litoral nordestino, com o Maranhão liderando o ranking nacional. A Bahia aparece como o estado com maior extensão de manguezais do Nordeste, reforçando sua relevância estratégica para a conservação costeira no país.
"Para nós, essa atualização é fundamental, pois garante um mapeamento mais preciso e atual dos manguezais, ecossistemas estratégicos do ponto de vista ambiental, social e econômico. A Sema tem participado de forma ativa nesse processo, em trabalho conjunto com o Inema, contribuindo com bases de dados pré-existentes, análises técnicas e validações, a partir de um conhecimento mais aprofundado do território. Essa construção colaborativa é essencial para garantir o melhor dado possível e subsidiar a gestão, o monitoramento e a proteção desses ambientes", afirma Mariana.
As análises também demonstram que a maior parte da área mapeada de manguezais está inserida em Unidades de Conservação, com predominância das categorias de Uso Sustentável, que concentram aproximadamente 88,43% da área protegida, enquanto as unidades de Proteção Integral correspondem a cerca de 11,57%. Entre elas, destacam-se as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e as Reservas Extrativistas (Resex), que desempenham papel fundamental na conciliação entre conservação ambiental e uso tradicional dos territórios.
Outro aspecto relevante apresentado refere-se ao domínio das áreas de manguezal no país. As Unidades de Conservação estaduais concentram a maior extensão dessas áreas, seguidas pelas Unidades de Conservação federais, evidenciando o papel central dos estados na gestão e proteção dos manguezais. Áreas localizadas em Terras Indígenas e em Unidades de Conservação municipais também foram identificadas, ainda que em menor proporção, o que reforça a importância da conservação intergal desses ecossistemas.
No campo metodológico, os técnicos do Ibama detalharam que o mapeamento utiliza técnicas avançadas de geoprocessamento e tratamento de imagens de satélite, com a adoção da mediana estatística no processamento dos dados, estratégia que reduz interferências causadas por nuvens e valores extremos, aumentando a precisão dos resultados. Foi informado ainda que os dados passarão por uma etapa de avaliação de acurácia, fundamental para a validação final do mapeamento antes de sua publicação.
Na oportunidade, o especialista Diogo Caribé contribuiu com avaliações técnicas sobre diferenças de escala entre os dados estaduais e o diagnóstico apresentado, incluindo análises sobre tanques, apicuns (áreas hipersalinas e geralmente desprovidas de vegetação arbórea) e a definição de termos utilizados no mapeamento.
O processo de coleta de contribuições técnicas, complementações e devolutivas contou com 20 reuniões técnicas, sendo sete com pontos focais do Ibama e as demais com representantes de universidades, do ICMBio, de secretarias estaduais de meio ambiente e de fundações parceiras. A expectativa é que a atualização do mapeamento nacional dos manguezais seja lançada no próximo mês, com a incorporação das contribuições técnicas recebidas.
Além dos técnicos mencionados, também integraram a reunião a oceanógrafa da Sema, Paloma Passos, e as estagiárias de pós-graduação, Renata Audrin e Sabrina Palma. José Rafael e Rogerio Pereira também acompanharam as discussões técnicas representando o Inema, além da oceanógrafa Erika Campos, vinculada à APA Costa de Itacaré–Serra Grande.