Após cinco dias de atividades na Costa do Descobrimento, a Caravana Bahia Sem Fogo encerrou, nesta sexta-feira (17), a sua passagem pelo Extremo Sul da Bahia com a consolidação de um ciclo de ações voltadas à prevenção de incêndios florestais, com destaque para o apoio às brigadas indígenas e comunitárias da região.
A iniciativa percorreu os municípios de Eunápolis, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Belmonte, com entrega de equipamentos, capacitações e ações educativas junto às comunidades, além de diálogo direto com escolas e gestores locais. Ao longo da programação, os povos indígenas tiveram papel central nas estratégias de prevenção e resposta aos focos de incêndio.
Coordenadora técnica da Unidade Regional (UR) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema Extremo Sul, sediada em Eunápolis, Carla Acruz destacou que a passagem da caravana marca o fechamento de um ciclo iniciado há dois anos no território.
“A gente recebeu as atividades da caravana pela segunda vez aqui no território, uma conquista muito grande porque agora a gente está fechando um ciclo. Em 2024 tivemos o primeiro momento com algumas comunidades, algumas brigadas. 2025 foi um compromisso de capacitações dessas brigadas e em 2026 trouxemos os equipamentos, então é um primeiro ciclo se fechando. Isso não vai se esgotar aqui, teremos, com certeza, outras ações no território. A gente visitou também outras comunidades, dialogando com as escolas, com gestores municipais, então fortalecendo a comunidade, o território”, afirmou.
A entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) a brigadas locais, muitas delas formadas por indígenas, foi um dos principais eixos da ação. Além de ampliar a capacidade de resposta, a medida reforça o papel dessas comunidades no combate inicial aos focos de incêndio, especialmente em áreas onde o acesso das equipes de emergência pode ser mais demorado.
No município de Santa Cruz Cabrália, a secretária de Meio Ambiente, Indara Mel, ressaltou o impacto direto da iniciativa para os brigadistas voluntários da região.
“Estamos muito felizes com a atuação da Caravana do Bahia Sem Fogo aqui na nossa cidade, um momento de articulação, de diálogo e também de celebração pela entrega desse material, que sem dúvida vai contribuir no desenvolvimento das atividades, especialmente dos brigadistas voluntários. A Prefeitura de Santa Cruz Cabrália agradece esse suporte e o desenvolvimento dessa atividade realizada pelo Governo do Estado, por meio de todas as instituições envolvidas no programa”, disse.
A atuação integrada entre órgãos estaduais, federais e municipais também marcou a caravana. Participaram das ações o Inema, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o Corpo de Bombeiros Militar, PrevFogo, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além de brigadas voluntárias e gestores locais.
Gestora da Área de Proteção Ambiental (APA) Santo Antônio, vinculada à Diretoria de Sustentabilidade e Conservação (DISUC) do Inema, Maria Cristina Nascimento Vieira, a “Tita Vieira”, destacou o trabalho de fortalecimento das instituições e das lideranças no território.
“Estamos aqui fazendo a gestão no Extremo Sul da Bahia, especialmente nesse território que abriga comunidades pesqueiras, marisqueiras e indígenas. Temos desenvolvido um trabalho de fortalecimento das instituições e das lideranças, e o Bahia Sem Fogo vem somar a esse processo, com destaque para o apoio às brigadas que atuam no território. É um momento muito especial para todos nós”, afirmou.
Para o assessor especial do Gabinete da Sema, Aldo Carvalho, a caravana cumpre um papel que vai além da prevenção, ao levar estrutura e presença do Estado para dentro dos territórios.
“Esse tipo de programa tem um papel importantíssimo na prevenção aos incêndios florestais e dá uma contribuição direta às comunidades. A caravana tem uma função educativa, mas também equipa as comunidades que têm essa demanda por infraestrutura de combate a incêndios. Aqui na região, especialmente, há uma simbologia muito forte nesse apoio às comunidades indígenas, que estão presentes em praticamente todos os territórios. A presença do Estado com esse tipo de iniciativa faz com que essas comunidades se sintam protegidas e fortalece políticas que precisam ser permanentes”, destacou.
Responsável pelo planejamento e execução das ações do programa, o coordenador Pablo Rebelo reforçou que o retorno ao território neste ano representa um avanço no atendimento das demandas apresentadas pelas comunidades.
“Estamos aqui nesse território que pulsa a ancestralidade dos povos originários, desenvolvendo a Caravana Bahia Sem Fogo. Neste ano, retornamos com a distribuição de equipamentos de proteção individual e coletiva, com uma preocupação direta com a segurança desses brigadistas indígenas e das comunidades. Com a preparação e a capacitação adequada, essas brigadas têm condições de atuar no combate aos incêndios dentro dos seus territórios. É um trabalho que começou em 2024 e que agora avança com a entrega de equipamentos e o fortalecimento dessas comunidades”, afirmou.
Ao longo da semana, a caravana também promoveu atividades educativas em unidades escolares, reuniões com gestores municipais e ações de sensibilização junto às comunidades, reforçando o caráter preventivo e contínuo do programa.