Celebrado nesta segunda-feira, 8 de junho, o Dia Mundial dos Oceanos chama a atenção para a importância dos mares na regulação do clima, na conservação da biodiversidade e na manutenção da vida no planeta. Na Bahia, a data marca o início da Semana Oceânica 2026, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), com uma programação que reúne ações de mobilização social, debates técnico-científicos e atividades educativas voltadas à valorização dos ambientes costeiros e marinhos.
Realizada entre os dias 8 e 11 de junho, em Salvador, a iniciativa está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), proclamada pelas Nações Unidas, e busca fortalecer a integração entre ciência, gestão pública e sociedade para enfrentar desafios relacionados à conservação e ao uso sustentável dos oceanos. Entre os temas centrais da programação estão mudanças climáticas, cultura oceânica, governança costeira, economia azul, biodiversidade marinha e combate à poluição dos mares.
Segundo a superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Sema, Maiana Pitombo, a proposta é reunir diferentes setores da sociedade para construir respostas conjuntas.
“Os desafios que afetam os oceanos, como a poluição, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade, exigem respostas cada vez mais integradas. A Semana Oceânica foi pensada como um espaço de articulação entre governo, academia, setor produtivo e sociedade civil porque entendemos que a construção de soluções duradouras depende dessa convergência de esforços. É uma agenda ambiental, mas também uma agenda de desenvolvimento para a Bahia”, destacou.
A abertura da Semana Oceânica acontece justamente no Dia Mundial dos Oceanos, com uma ação de limpeza na Praia da Barra. A atividade foi realizada em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) e integra também as comemorações do Dia Estadual de Combate à Poluição nos Oceanos e Limpeza das Praias, instituído pela Lei Estadual nº 14.176/2019. Além da retirada de resíduos da faixa costeira, a iniciativa teve como objetivo sensibilizar a população sobre consumo consciente, redução do uso de plásticos descartáveis, destinação adequada dos resíduos e prevenção da poluição marinha.
Como parte da ação, os materiais recolhidos serão utilizados em uma exposição educativa que permitirá ao público visualizar os impactos do descarte inadequado de resíduos sobre os ecossistemas costeiros e marinhos. A proposta busca fortalecer a cultura oceânica ao evidenciar que grande parte do lixo encontrado no mar tem origem em atividades realizadas em terra, reforçando a responsabilidade compartilhada na conservação dos oceanos.
Nos dias 9 e 10 de junho, o Museu Geológico da Bahia sediará painéis e palestras voltados à discussão de soluções para os desafios enfrentados pelos ambientes costeiros e marinhos. A programação inclui uma palestra magna sobre a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável e debates sobre gestão integrada de resíduos, economia circular, adaptação e resiliência costeira diante das mudanças climáticas, economia azul, conservação da biodiversidade marinha e cultura oceânica como política pública.
O conceito de economia azul, um dos eixos centrais da programação, será abordado como estratégia capaz de promover o desenvolvimento sustentável dos territórios costeiros ao conciliar crescimento econômico, inclusão social e conservação ambiental. A temática ganha cada vez mais relevância em estados litorâneos como a Bahia, onde atividades ligadas ao turismo, à pesca, à navegação e aos serviços ecossistêmicos marinhos possuem forte impacto na geração de emprego e renda.
Mais do que promover debates sobre temas estratégicos, a Semana Oceânica também aposta em experiências educativas e de sensibilização para ampliar a conexão da sociedade com os ambientes marinhos e fortalecer a chamada cultura oceânica. Para a oceanógrafa Mariana Fontoura, coordenadora do Gerenciamento Costeiro (GERCO) da Sema, esse é um dos principais objetivos da iniciativa.
“Construímos uma programação que vai além dos debates técnicos. Queremos que as pessoas conheçam, sintam e compreendam a importância dos ambientes marinhos para a nossa vida. É difícil cuidar daquilo que não conhecemos. A Semana Oceânica é um convite para que cada cidadão se reconheça como parte dessa agenda de conservação”, afirmou.
A Semana Oceânica também investe na formação das novas gerações. No dia 11 de junho, estudantes do CBMBA participarão do Cine Pipoca Oceânica. A atividade utilizará o cinema como ferramenta de educação ambiental para ampliar o debate sobre biodiversidade marinha, mudanças climáticas e sustentabilidade.
Ao longo da semana, a programação busca reforçar a importância dos oceanos para o equilíbrio climático, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, destacando o papel da Bahia na construção de uma agenda voltada à proteção dos ambientes costeiros e marinhos.