Fórum Baiano de Mudanças Climáticas debate ações de enfrentamento ao El Niño e estratégias para a saúde

Publicado: 12/08/2026 Última atualização: 23/09/2026 às 14:37
Fórum Baiano de Mudanças Climáticas debate ações de enfrentamento ao El Niño e estratégias para a saúde

O Fórum Baiano de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade (FBMC-Bio) realizou, nesta quarta-feira (12), sua 17ª Reunião Ordinária, reunindo virtualmente representantes das instituições que integram o colegiado para discutir estratégias de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas no território baiano. Entre os principais assuntos estiveram o Plano de Ação para o El Niño 2026, o Plano Setorial de Saúde para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas e o Plano Estadual de ações para enfrentar impactos do El Niño.

A reunião também contou com a aprovação das atas das 14ª, 15ª e 16ª reuniões ordinárias do Fórum, realizadas em setembro e dezembro de 2025 e março de 2026, respectivamente, além da aprovação do calendário de reuniões ordinárias para 2026. Durante o encontro, a relação entre os eventos climáticos extremos e os impactos sobre a saúde pública ganhou destaque.

Representando o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres), integrado aos CIEVS (Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde), Edson Ribeiro abriu as apresentações com a exposição do Plano de Ação para Enfrentamento ao El Niño 2026. Ele ressaltou que a atuação do setor de saúde precisa considerar diferentes riscos associados às alterações climáticas, com atenção especial à vigilância e à capacidade de resposta da rede.

“Os eventos climáticos têm impactos muito significativos para o setor sanitário. Temos gatilhos relacionados à qualidade e à disponibilidade da água, à transmissão de doenças, ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, às intoxicações e aos efeitos do calor extremo, como a desidratação grave. A vigilância integrada é fundamental para receber as informações, acompanhar as notificações e identificar rapidamente os agravos”, afirma o coordenador do Vigidesastres.

Na sequência, Manuela Sampaio conduziu a apresentação do Painel e do Plano Setorial de Saúde para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, coordenado pela Coordenação de Vigilância em Saúde Ambiental (Coviam) da Secretaria da Saúde (Sesab). A proposta considera as particularidades ambientais, sociais e territoriais da Bahia e os diferentes impactos que os eventos climáticos podem produzir sobre a saúde da população. Entre os exemplos apresentados está o derramamento de petróleo ocorrido em 2019, que evidenciou a vulnerabilidade do território baiano diante de eventos com repercussões ambientais e sanitárias.

“A Bahia tem uma grande diversidade territorial e climática e, justamente por isso, diferentes regiões estão expostas a diferentes riscos. As enchentes e inundações impactam a qualidade da água, a saúde mental das pessoas e até o funcionamento das unidades de saúde. No semiárido, temos questões relacionadas à falta de água e à segurança alimentar, enquanto no Cerrado os focos de calor podem agravar problemas respiratórios e cardiovasculares”, aponta.

Manuela também destacou que a discussão sobre clima e saúde precisa considerar as desigualdades sociais existentes no território. “A população mais vulnerável é aquela que acaba sofrendo os maiores impactos dos eventos climáticos, seja pela perda de bens e familiares em enchentes, pela dificuldade de acesso à água e à segurança alimentar ou pela exposição aos efeitos do calor e da poluição do ar”, salientou.

Plano Estadual articula ações para enfrentar impactos do El Niño

Complementando as discussões sobre as estratégias de enfrentamento ao fenômeno, o coordenador de políticas públicas da Casa Civil, José Augusto Tosato, apresentou o Plano Estadual de Ações de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027, que reúne medidas emergenciais, continuadas e estruturantes. Segundo ele, a estratégia parte de políticas e ações que já estão em andamento no Estado e busca ampliar a integração entre diferentes áreas, como saúde, segurança alimentar, saneamento, meio ambiente, recursos hídricos, desenvolvimento rural e assistência social.

“A gente não está partindo do zero. A gente já tinha uma política bem acertada de ações de convivência com o semiárido, de diversas dimensões, diversas instâncias, diversas estratégias. O que a gente está tentando é superar barreiras culturais e trabalhar da maneira mais integrada possível”, afirmou.

Entre as ações apresentadas estão iniciativas de convivência com o semiárido, tecnologias sociais de acesso à água, distribuição de mudas de palma forrageira, o fortalecimento da atuação junto aos municípios e medidas voltadas à segurança alimentar e à saúde. Na área de prevenção e combate aos incêndios florestais, Tosato destacou a atuação integrada entre os governos estadual e federal e ressaltou o trabalho do Programa Bahia Sem Fogo, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema).

“O Bahia Sem Fogo é uma realidade concreta, não para de trabalhar e é o tempo todo. Já vinha se preparando para enfrentar os incêndios florestais durante o período. A gente usa esses dados para estimular muito mais investimentos em prevenção, porque depois, para recuperar essa área, é muito mais difícil, muito mais caro”, afirmou.

Além dos temas centrais, a 17ª reunião do FBMC-Bio contou com espaço para informes e demais assuntos de interesse do colegiado. As discussões reforçaram a importância da atuação integrada entre diferentes áreas do poder público e instituições para prevenir e responder aos impactos das mudanças climáticas na Bahia.