14.10.2009 - Uma lata d’água na zona rural do semiárido baiano pode ser conseguida com uma légua de distância ou seis quilômetros para os pouco afeitos à linguagem do homem do sertão. E a lata vai, normalmente, equilibrada na cabeça. Mas para os moradores do Assentamento de Baixão, em Banzaê, esse desafio foi mais angustiante. A água que hoje brota nas torneiras, mata a sede de cerca de 500 pessoas e até ajuda a irrigar as pequenas plantações, vem do solo. De um solo profundo, que muitos diziam não ter uma gota dágua embaixo, mas que a persistência dos técnicos da Cerb mostrou que vale sempre acreditar .
Os primeiros 100 metros de perfuração foram só de expectativa. Os 100 seguintes de uma certa ansiedade e tensão. Duzentos metros já tinham ficado para trás e o solo continuava seco e rochoso. Mas a sonda continuou avançando. 210, 220, 230 e finalmente 240 metros. E a água afinal brotou abundante e limpa. Pronta para o consumo humano. Pronta para matar a sede de toda uma comunidade. Gente sofrida, mas jamais descrente. Gente que apostou na promessa do governador Jaques Wagner de levar água a quem tem sede mesmo numa área tão seca como o semiárido e a caatinga, e cumpriu.
Os 500 moradores da localidade conhecida como Assentamento de Baixão, em Banzaê, vivem hoje um novo tempo. A comunidade encravada na região do semiárido do nordeste da Bahia sofria com a falta de água potável, mas agora essa situação mudou. A Companhia de Engenharia Ambiental da Bahia (Cerb), através do Programa Água para Todos, concluiu a perfuração de um poço tubular de 240 metros de profundidade que deu água de excelente qualidade com uma vazão de 72 mil litros de água por hora.Com essa vazão, o poço poderá ser utilizado para irrigação comunitária, visando o aumento da renda dos pequenos produtores rurais. Com esta obra, a Cerb chega a marca de 1.500 poços perfurados na zona rural da Bahia.
Da meta estabelecida nos quatro anos de governo, dentro do Água para Todos, a Cerb já cumpriu 83,3 % no segmento de perfuração de poços, ou seja, de 1.800 poços, a empresa já perfurou 1.500 em dois anos. Foram perfurados praticamente cerca de dois poços por dia. Nesse ritmo, a meta poderá ultrapassar em 25%.
O poço tubular de número 1.500, no Assentamento de Baixão, a 310 km de Salvador, foi perfurado para substituir o que estava desativado, pois salinizou e ficou sem potabilidade.O sistema de distribuição será ampliado visando abastecer toda comunidade.
De acordo com o geólogo Osvaldo Bastos Alcântara, responsável técnico pela obra, o poço foi perfurado na rocha sedimentar com a sonda rotativa PR-04, máquina específica para esse tipo de solo.
Ao chegar a 240 metros de profundidade, foi realizada uma perfilagem geofísica, onde foram identificados os aquíferos. Com a perfilagem geofísica executada, foram interpretados num programa computadorizado os perfis e elaborado um projeto do poço com cimentação anelar, visando produzir somente água doce. O projeto foi executado e deu pleno resultado.
“ Vi de perto o meu sonho ser realizado. A água saindo do poço encharcou o chão. Hoje é só felicidade em saber que essa água é muito boa e de qualidade”, diz dona Ivone Alves Santos,55anos.
Já seu filho, Aroldo Alves, 25 anos, nascido e criado na região, conta que foram quase 30 dias de ansiedade aguardando a água doce brotar do chão. “A gente ia espiar o que estava acontecendo quase todos os dias. Os operários da Cerb trabalharam continuamente com as máquinas para arrancar a água que transforma a nossa vida. A partir de agora Baixão vai ser diferente. A gente não acreditava que os engenheiros pudessem separar a água salgada da água doce de lá de baixo do solo”.
O geólogo Osvaldo Alcântara conta que, a princípio a empresa tentou recuperar o poço antigo, mas as tentativas foram em vão, pois, a vazão é mínima e o material que reveste o poço estva corroído pelo tempo, além disso água ficou salgada e tornou a situação inviável.
A Cerb então partiu para locação de um novo poço tubular. Na primeira etapa, o geólogo Marco Antônio Peixinho fez uma visita técnica para detectar o manancial com água potável. Para isso, foram utilizados mapas geológicos e topográficos, fotografias aéreas, GPS, bússola, dados hidrogeológicos de outros poços, além do seu conhecimento da região.
Detectado o local, formação rochosa denominada São Sebastião, composta de arenito e folhelho, os técnicos elaboraram um projeto inicial com perfilagem e cimentação. A partir daí foi dada a largada para a perfuração do poço. Uma equipe da unidade da rotativa, formada por cinco pessoas, chefiada pelo geólogo Osvaldo Alcântara e técnico em geologia Dagoberto Menezes, inicia a perfuração do poço, atingindo a profundidade de 240 metros.Foram 23 dias de um trabalho incessante. Após a completação, foi realizado o teste do poço com compressor de alta pressão.
Ederival Pereira dos Santos, 23 anos conta que foi uma emoção muito grande. “Volta e meia eu estava l, acompanhando o trabalho da Cerb. Quando a água uma força tamanha saiu da tubulação pedi para experimentar e percebi que era muita limpa e gostosa. A água que abastece a comunidade é muito ruim. Fiquei ansioso aguardando por esse dia. Já não agüentava mais tanto sofrimento com a falta de água potável. Achei que nunca mais ia beber água doce”.
“ A água encanada que antes chegava aqui não servia para nada , nem para lavar roupa. O sabão não espuma, imagine bebendo essa água todo dia. Quando tenho tempo ia pegar água boa para beber num lugar que fica bastante longe. Agora sei que tudo mudou com o poço novo. As pessoas doentes de hipertensa, tomava remédio e não adiantava nada”, diz Edilma dos Santos , 44 anos.
Segundo o gerente de Perfuração da Cerb, Godofredo Correia, o projeto de perfuração resulta da demanda do local. Dependendo da população, do poço mais raso ao mais profundo a ser perfurado são utilizadas brocas de tamanho variado de 8,5 a 17 polegadas. Perfurar o poço tubular não é o suficiente para o homem que vive no campo. É preciso levar água potável e desenvolvimento. Inúmeros estudos são feitos pela Cerb, desde a medição da vazão do poço até a qualidade da água. Depois da captação, a água é tratada e levada através de adutoras, onde chega às torneiras dos baianos que vivem na zona rural.
Para agricultora Orleide Alves de Souza, mãe de nove filhos, a chegada da água foi o maior presente que recebi até hoje. Tiro da terra a minha sobrevivência e sei que esse poço perfurado pela Cerb deu água abundante e quem sabe, usar um pouquinho para umedecer a terra e plantar mais”.
INVESTIMENTOS - O ano de 2009 foi marcado por grandes investimentos na área de recursos hídricos, com destaque para a aquisição das cinco novas sondas perfuratrizes de última geração e compressores de alta pressão no valor de R$ 13 milhões.
De acordo com o presidente da Cerb, Cícero Monteiro, os novos equipamentos permitem a perfuração de poços de até 700 metros de profundidade, garantindo mais agilidade nas ações de combate a seca na região do semi-árido. As máquinas, que já se encontram no pátio do Núcleo Regional de Feira de Santana, vai reforçar o parque tecnológico da Cerb na perfuração de poços na zona rural da Bahia.
ONDE FICA - Banzaê fica a 296 km de Salvador, com parte do município em área de reserva indígena, e a 42 km do município de Ribeira do Pombal. A origem do nome do primeiro morador que se chamava Zé Banzaê, de origem iraniana. Município de Banzaê foi criado pela Lei Estadual 4.485 de 24 de fevereiro de 1989 e tem uma população estimada em 13.730 habitantes.
Fonte: Ascom/Cerb