15.12.10 – A Agenda Bahia do Trabalho Decente, por intermédio das secretarias estaduais do Planejamento (Seplan) e do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), promoveu na última terça-feira (14), a Oficina de Planejamento – Empregos Verdes. Durante o encontro foram discutidas ações e propostas que darão subsídios para a construção de um plano de ação que será executado pelo Governo nos próximos cinco anos.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, ao abordar a temática, avaliou que a Bahia vive um momento importante de desenvolvimento, com a vinda de indústrias, construção de portos e ampliação de aeroportos, exportação da agricultura e mineração, o que repercute no mercado. “Todos são investimentos importantes, no entanto, precisamos equacionar as atividades industriais com as vocações econômicas locais, associando os investimentos com o modo de vida das pessoas”, destacou.
Spengler falou ainda sobre a necessidade de inverter a lógica dos investimentos, que devem priorizar o interior do estado, e questionou o atual modelo de desenvolvimento. “Precisamos resolver os problemas das sociedades, respeitando as condições de vida das populações. Caso contrário, estaremos gerando mais problemas e concentração de riquezas”. Ao citar o processo de implantação da energia eólica, no semiárido baiano, Spengler lembrou que a exploração de riquezas no estado deve ser vista e conduzida como uma oportunidade de desenvolvimento sustentável.
O chefe de gabinete da Setre, Elias Dourado, representou o secretário do Trabalho, Nilton Vasconcelos. “Ao trazer para a Agenda Bahia do Trabalho Decente este tema, o governo mostra a sua preocupação com a geração do emprego e renda. Esse plano de ação, que será construído pelo grupo, é muito valioso e vai permitir induzir o mercado de trabalho a gerar uma economia mais dinâmica e com desenvolvimento sustentável”.
Para o diretor de Planejamento Territorial da Seplan, Benito Juncal, a Bahia tem muitas vantagens para atrair investimentos em economia renováveis. “A partir de março, quando os debates do PPA governamental serão iniciados, esperamos ter ações que possam ser executadas nos próximos cinco anos. E esta oficina vai produzir ideias concretas que farão parte na construção das políticas públicas do Estado”.
Representante da secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, Raquel Kibrit detalhou como o seu estado vem trabalhando a Economia Verde. “A proposta de desenvolvimento busca instituir novos vetores de crescimento econômico, novas fontes de empregabilidade e soluções consistentes para a melhoria da qualidade ambiental com base no reconhecimento de que o atual modelo de produção e consumo de bens e serviços é insustentável”.
O coordenador de Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT Brasil, Paulo Sérgio Muçouçah, considerou que o encontro serviu para reunir subsídios para o plano de ação. Para isso, os grupos de trabalho abordaram temas como Economia Solidária, Agricultura e Reciclagem; Turismo Sustentável, Proteção e Recuperação do Meio Ambiente e Pesquisa e Desenvolvimento; Saneamento Básico, Construção Civil e Matriz Energética. “Demos passos importantes e que deve ir ao encontro do Plano de Desenvolvimento do Estado. Inserir o Emprego Verde dentro dessa visão governamental é o nosso desafio”, avaliou Muçouçah.
Emprego Verde – A OIT define Emprego Verde como toda atividade ligada à tecnologia ambiental relacionada à indústria, construção civil, fontes de energia renováveis, serviços, turismo e agricultura que contribuem para a preservação ou restauração da qualidade do meio ambiente. O conceito envolve perfis ocupacionais, habilidades e formações educacionais diversificados, sendo que alguns deles constituem tipos de emprego novos, mas a maioria baseia-se em profissões e ocupações tradicionais, ainda que com conteúdos e competências profissionais modificados.
A Bahia vem se destacando no cenário nacional no uso dos sistemas fotovoltaicos. Também desponta na produção de energia por fontes alternativas, com destaque para a geração de energia por meio da biomassa (biodiesel) e energia solar. A energia eólica tem sido uma das alternativas às hidroelétricas, permitindo a geração de eletricidade de forma sustentável.
Fonte: Ascom/Sema