Galpão vai reforçar coleta seletiva na margem do Velho Chico

16/09/2008

Papelão, plástico e metal são alguns dos materiais recicláveis recolhidos nas casas e no comércio de Curaçá, no norte do Estado, por dona Maria Rosalino Barbosa, 50 anos, e mais 19 famílias de autônomos, que integram a associação de catadores do município. Juntos, eles retiram das ruas da sede do município 18 toneladas por mês de lixo reciclável, que provavelmente seriam descartados, inadequadamente, acarretando impactos ao meio ambiente e à saúde dos habitantes da margem do Rio São Francisco.

Hoje, todo material é transportado para a cidade de Juazeiro, distante 90 quilômetros de Curaçá, com recursos próprios da Associação. “Não temos um espaço para guardar todo o lixo que pegamos na rua”, disse dona Maria, ao enfatizar que o sustento da família é garantido pela atividade. “Faço não só pra ganhar dinheiro, mas por amor a minha terra. Nasci na beira do rio São Francisco e fico muito triste quando vejo sujeira lá”.

Para mudar essa realidade, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema) pretende instalar dois galpões na região para armazenar o material reciclável. O anúncio foi feito pelo secretário Juliano Matos, na sede do Clube de Mães, no município.

“A iniciativa é mais uma ação do Estado para revitalizar o São Francisco, muito lixo é descartado às margens do rio, contaminando a água e o solo”, justificou. Ainda de acordo com Matos, os galpões vão potencializar o volume de material recolhido na região, reduzindo os níveis de poluição ambiental e do desperdício de recursos naturais, através da economia de matérias-primas.

“O apoio da secretaria para a coleta seletiva em Curaçá vai beneficiar famílias carentes, com alternativa de renda, mas sobretudo, contribuirá para a preservação dos recursos naturais presentes no município, principalmente para o Rio São Francisco e o bioma caatinga”, destacou o prefeito do município Tote Loureiro.

Mata Branca

O município de Curaçá é um dos quatro municípios baianos beneficiados com o Projeto de Conservação e Gestão Sustentável do Bioma Caatinga (Gef - Mata Branca), uma parceria do Banco Mundial (Bird) com os governos da Bahia e Ceará. O projeto pretende criar alternativas de trabalho e geração de renda às comunidades indígenas, quilombolas, angiqueiras e de fundo de pasto, que sobrevivem da extração inadequada de matéria-prima.

“A caatinga é o único meio de sobrevivência de muitos baianos, por isso queremos colaborar na proteção desse importante bioma”, disse Juliano Matos, ao divulgar que os técnicos da secretaria estão levantando informações para possível criação de uma unidade de conservação na região. “A ararinha-azul, (Cyanopsitta spix), por exemplo, está em extinção. Temos que realizar ações imediatas de intervenções sustentáveis, para assegurar a biodiversidade na região”.

Fonte: Ascom/Sema