13.02.2009 – Vinte e seis líderes das comunidades indígenas pataxó e tupinambá (localizadas no Extremo Sul do estado) estiveram hoje (13) na Secretaria do Meio Ambiente (Sema) para solicitar a extensão do serviço de energia elétrica na aldeia. Na pauta, constaram ainda um pedido de recomposição das matas ciliares e da cessão de equipamentos de segurança para os índios, que atuam como brigadistas em casos de incêndio.
No encontro, que teve a participação do superintendente de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação (SFC), Marcos Ferreira, e do representante da Coelba, Marcelo Barreto, os caciques mostraram a importância da ampliação do serviço de energia elétrica dentro da aldeia, por meio do Programa Luz para Todos.
Na reunião, Ferreira garantiu aos representantes dos pataxós o envio de dois técnicos da Sema à região já nos próximos dias 3 e 4 de março. Eles vão fazer um levantamento das demandas e das condições técnicas e ambientais para a instalação da luz na aldeia, localizada em Coroa Vermelha (Porto Seguro).
“Por estar localizada em uma APA (Área de Proteção Ambiental), o licenciamento ambiental - documento necessário para autorizar a instalação da energia elétrica (colocação de postes) -, só pode ser concedido pela Sema”, disse.
O relatório dos técnicos da Secretaria do Meio Ambiente vai servir de base para as ações que serão tomadas pela Coelba para a instalação da luz no local. O Luz para Todos é um programa do Governo Federal, desenvolvido em parceria com os governos estaduais.
“A luz já chega a 230 casas da comunidade, mas ainda não é suficiente para atender todas as famílias”, disse o cacique pataxó Aruan. Segundo ele, a extensão da oferta de energia elétrica vai beneficiar os índios em atividades como artesanato, turismo e fabrico de farinha.
Pressão alta - De acordo com o técnico da Sema, Geraldo Amaral, uma maior oferta de luz é muito importante, tanto para o meio ambiente quanto para a saúde dos índios. “Com a energia elétrica, eles abandonam o querosene, utilizado na iluminação, e também deixam de usar o sal na conservação da comida”, revela.
Como não possuem geladeira ou freezer, devido a falta de luz, os índios têm o costume de salgar a carne para conservá-la por mais tempo. O uso excessivo do produto acaba gerando problemas de saúde. “Na aldeia, existe um bom número de índios com pressão alta e diabetes”, diz.
Viveiros e brigadistas - Na reunião, os caciques pediram ainda a recomposição das matas ciliares, dentro do Projeto Viveiros Ecológicos. Eles querem a implantação de novos viveiros com mudas nativas e melhorias nos já existentes.
Os caciques solicitaram também a cessão de material de proteção para os brigadistas, que atuam no caso de incêndios na aldeia. Na região, 120 índios estão capacitados como brigadistas pelo Pré-Fogo, serviço de combate a incêndio coordenado pelo Ibama.
Fonte: Ascom/Sema