A Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), autarquia da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), divulgou, nesta segunda-feira (19), o primeiro relatório do Programa Monitora que, desde janeiro deste ano, está analisando, de forma pioneira, a qualidade das águas dos rios baianos nas 17 bacias hidrográficas, desde janeiro de 2008.
A partir das análises químicas, físicas e biológicas dos 208 pontos de coleta em 75 rios das 17 Regiões de Planejamento e Gestão das Águas, os técnicos concluíram que quatro bacias hidrográficas próximas da Região Metropolitana de Salvador e do Litoral Norte apresentam as condições mais críticas, com trechos considerados péssimos ou ruins. Em compensação, nas outras 13 bacias os resultados foram classificados, de acordo com o Índice de Qualidade das Águas (IQA), como ótimos, bons ou regulares.
As amostras, analisadas pelos técnicos da SRH e do Centro de Tecnologia Industrial Pedro Ribeiro, do sistema Senai/Cetind, levaram em consideração os nove parâmetros mais importantes para definir a qualidade da água, segundo um padrão internacional mundialmente utilizado, o IQA: oxigênio dissolvido, coliforme, pH, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), nitrogênio total, fósforo, temperatura, turbidez e sólidos totais.
O resultado foi um trabalho pioneiro e de referência, sendo, atualmente, o maior programa de monitoramento do país, com um investimento R$ 6,7 milhões até 2010.
O relatório está dividido em 17 Regiões de Planejamento e Gestão das Águas, com classificações ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. Nas RPGAs do extremo sul, Rio Pardo e Jequitinhonha, Leste, Rio de Contas, Recôncavo Sul, Sub-Médio São Francisco, Salitre, Verde e Jacaré, Santo Onofre, Paramirim e Carnaíba de Dentro, Calha do Médio São Francisco, Rio Grande e Rio Corrente, nos trechos coletados, as águas dos rios foram consideradas ótimas, boas e regulares.
O destaque fica para as bacias localizadas na Chapada Diamantina e de rios afluentes do São Francisco, onde as águas só tiveram avaliações ótima e boa. Nas quatro bacias onde estão os rios Real, Vaza-Barris, Itapicuru, Paraguaçu, Joanes, Ipitanga, Subaé, Jacuípe, Jacarecanga, Piaçabeira, Bandeira, Muriqueira, Itinga, Pitinga, os riachos do Maia e Principal, além Itapicuru-Mirim, localizados no Litoral Norte e Região Metropolitana de Salvador, há trechos ruins e péssimos.
“Era previsível a obtenção de pontos ruins e regulares em áreas onde há forte predominância econômica. Nessas regiões, está o maior Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia”, avaliou Luis Henrique Pinheiro, diretor de Regulação da SRH, um dos coordenadores do Monitora.
São regiões com áreas mais populosas e concentração de atividades econômicas, onde há fortes indicadores de poluição por esgotos domésticos. Também justifica-se, em alguns casos, por serem rios de menor vazão, portanto, com menor capacidade de diluição da poluição. De acordo com Júlio Rocha, superintendente da SRH, não é o único e nem o último resultado, pois novas coletas e análises vão ser feitas até um total monitoramento, previsto para ser concluído em 2010.
Os dados serão encaminhados para todos os comitês de Bacias Hidrográficas e vão servir de referência para a definição das prioridades na gestão dos recursos hídricos por outros órgãos pertencentes ao sistema Semarh, segundo o secretário Juliano Matos. “Este é um programa estruturante e o componente gestão do Programa Estadual Água para Todos, para se garantir água para todos sempre”.
O Programa Monitora vai divulgar relatórios parciais a cada três meses. “Mais tarde poderemos aprofundar e especificar parâmetros, como definir a quantidade de chumbo no rio Subaé”, exemplificou o superintendente do SRH.
Fonte: Agecom