28.11.2008 - O pequeno produtor do município de Canudos, Lúcio Conceição Santos, viajou cerca de 250 quilômetros, até a cidade de Juazeiro, no norte do Bahia, para contribuir na construção da política estadual de Educação Ambiental. Lúcio foi um dos 120 representantes de comunidades tradicionais, sociedade civil, universidades e poder público, que participaram do Seminário de Consulta Pública da Minuta do Projeto da Lei de Educação Ambiental.
O evento pretende identificar conflitos socioambientais e potencialidades dos 26 territórios de Identidade do Estado, levantando indicativos para a construção dos Planos de Educação Ambiental. O primeiro seminário se encerra hoje (28), no Grande Hotel de Juazeiro, abrangendo 10 municípios do território Sertão do São Francisco – Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado, Sobradinho, Curaçá, Campo Alegre de Lurdes, Uauá, Canudos e Juazeiro.
“Eu que nasci, cresci e aprendi a conviver com a seca da caatinga, sou quem mais sei da realidade do meu povo”, defendeu Lúcio, ao enfatizar que na região “tudo dá, mas tem que saber é trabalhar a terra”. Segundo o presidente da Associação de Fundo de Pasto de Canudos, todas as famílias que moram na zona rural criam gado, não só como fonte de renda, mas para garantir o alimento da família. “A nossa tarefa é orientar os vizinhos a fazer o manejo correto e a reconstituição da caatinga”.
Para a coordenadora Executiva da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (Ciea), Lilite Cintra, esse encontro é uma forma democrática de consultar os territórios, para que possam manifestar suas peculiaridades e estar inseridos no processo de levantamento das suas necessidades. “Os seminários servem para levar informações sobre educação ambiental e para colher dados da vivência de quem atua nessa área na região”.
Características do Território – O representante da entidade coordenadora do Território Sertão do São Francisco, Dário Nunes dos Santos, destacou como peculiaridades da região, o Rio São Francisco e o bioma caatinga. “Os problemas ambientais que prejudicam o rio são os despejos de esgotos das cidades ribeirinhas, os drenos dos projetos de irrigação, o uso indiscriminado dos recursos hídricos, além da pesca predatória”, pontuou.
De acordo com Dário, o território totaliza 58% da população animal de caprinos e ovinos da Bahia. “A supressão de áreas de vegetação, para implantação de projetos agrícolas e para criação de bode em ‘sequeiro’ são alguns dos conflitos que afetam a biodiversidade do bioma caatinga”, afirmou.
Fonte: Ascom/Sema