Programa alia preservação da natureza à geração de renda

24/07/2009

24.07.2009 - Do pedaço de terra herdada pela mãe na roça Santo Antônio, na Vila Camboinha, em Itacaré, o agricultor Edinis de Jesus Santos, 42 anos, sempre se dedicou a sua pequena horta. Plantava legumes, verduras e vendia os produtos. Com o dinheiro ganho, alimentava o desejo de construir e equipar um viveiro de mudas de árvores.

O sonho de ter o viveiro virou realidade, e hoje seu Edinis é um dos agricultores que contribuem para a recomposição de áreas florestais do Parque do Conduru, no sul da Bahia, por meio do Programa Floresta Bahia Global. Implantado no ano passado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), o programa busca a recomposição de áreas desmatadas e a neutralização de carbono nos parques estaduais.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Juliano Matos, o Floresta Bahia Global é um programa que está em consonância com o tratado de Kioto, ratificado em 2005 por 160 países, entre eles o Brasil. O acordo estabelece o compromisso de contribuir para a redução de emissão de CO2. “Com a iniciativa inédita no país, o Governo da Bahia passa a estimular a adoção de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelos empreendimentos no estado, buscando reduzir a emissão de gases que provocam o chamado efeito estufa”, destacou Matos.

Uma das vertentes do programa consiste na aquisição pela Sema, em parceria com a ONG Instituto Floresta Viva, de mudas produzidas pelos pequenos agricultores para recuperação das áreas degradadas. Seu Ednis é um dos beneficiados com a iniciativa e, desde o início do Floresta Bahia Global, já plantou e vendeu mais de três mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.

Nesse período, graças ao programa, seu Edinis obteve rendimentos entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil. Hoje, o dinheiro ganho com a produção das mudas é a renda mais significativa de seu Edinis já que a horta contribui com pouco. 

‘Esse dinheiro me ajudou muito, me desapertou. Consegui ajeitar meu viveiro de mudas, fiz o banheiro e coloquei o piso na minha casa. Ainda guardei uma parte na poupança para uma urgência’, diz o pequeno agricultor, casado e pai de três filhos.

Seu José Carlos Maciel, 41 anos, do município de Uruçuca, na Vila de Serra Grande, é outro agricultor beneficiado. Ele conta que ficou sabendo do programa por pessoas da região e percebeu que poderia ganhar um dinheiro extra.

José Carlos procurou saber como participar do programa, entrou em contato com os técnicos e recebeu orientações do que poderia ser feito para a construção de um viveiro. A partir de então, criou uma pequena estrutura e  começou a produzir as mudas.

“Quando a gente fez essas mudas, foi como ter caído do céu”, disse seu José. À época, ele sofria fortes dores devido a problemas na vesícula e precisava de dinheiro para fazer a cirurgia. ‘O problema de saúde foi um pouco antes de começar a produzir. Na entrega das primeiras mudas, com o dinheiro recebido pude pagar a operação’, declarou.

Roberto Valverde dos Santos, 40 anos, da região de Itacaré, é outro agricultor beneficiado pelo Floresta Bahia Global. Casado e pai de três filhos, conta que o sustento da família sempre foi da pequena horta. Seus produtos são vendidos aos hotéis e pousadas da área da Apa Itacaré-Serra Grande.
Segundo ele, o dinheiro da venda das mudas é um ganho extra e dá para realizar o que tinha vontade. “Na minha casa não tinha banheiro, comprei piso, pude fazer o banheiro, e ainda comprei uma lavanderia para minha mulher lavar roupa”, contou.

Ampliação - De acordo com o Superintendente de Políticas Florestais, Conservação e Biodiversidade da Sema, Marcos Ferreira, vários parceiros têm sido envolvidos gradativamente para colaborar nas ações de recomposição de áreas desmatadas em reservas florestais.
No Conduru, a ONG Instituto Floresta Viva é responsável pela execução do plantio de espécies nativas. O Parque de Pituaçu, em Salvador, e as áreas da Estação Ecológica Wenceslau Guimarães, no município de Wenceslau Guimarães, no Baixo Sul, serão os próximos endereços beneficiados com o programa.

Trabalho, renda e preservação - De acordo com o coordenador do Núcleo de Restauração Ambiental do Instituto Floresta Viva, Volney Fernandes, a atividade no Conduru gera emprego e renda para a comunidade local, além de se tornar uma matriz economicamente sustentável.

“Eles investem na implantação de viveiros rústicos, na aquisição de equipamentos, como moto bombas para irrigação e abastecimento doméstico, reformas e ampliação de moradia e compra de insumos para produção de hortaliças’”. Hoje, os 32 viveiros rústicos, promovem a recuperação de áreas florestais e a consolidação do comércio de mudas nativas na Apa Itacaré - Serra Grande.

Fonte:Ascom/Sema