Luz, câmera, conscientização. Os fenômenos da natureza ganham ainda maior beleza quando bem capturados pelos profissionais do cinema. Mas para que não virem apenas registros na memória das pessoas e nos negativos dos filmes, é preciso que todos se mobilizem para os problemas que o meio ambiente enfrenta. Alguns cineastas já deram o primeiro passo. E alguns desses trabalhos podem ser apreciados e refletidos pelo público na 1ª Mostra de Cinema Ambiental, organizada pelo circuito Saladearte e com apoio da Cetrel, Bahiagás e das secretarias estaduais do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e de Infra-Estrutura.
A partir de amanhã e até o dia 3 de julho, seis longas e um curta nacionais e estrangeiros serão exibidos na Saladearte - Cinema da Ufba, sempre às 20h30, com entrada gratuita (convites deverão ser retirados 30 minutos antes). "É apenas um pontapé inicial. Mais para frente, queremos fazer essa mostra crescer, trazer mais filmes e incluir discussões", afirma Renata Hasselman, assistente de programação da Saladearte. "A curadoria foi feita pela nossa produção, que escolheu, na maioria, filmes que já passaram pelo nosso circuito", revela. O critério foi pelas principais produções dos últimos anos que chamaram a atenção para problemas relacionados à ecologia e ao meio ambiente.
Na abertura, duas obras de cineastas nacionais. Primeiro, o curta-metragem Ilha das flores (1989), de Jorge Furtado, uma das produções brasileiras mais premiadas dos últimos anos. Nos 12 minutos da obra, o público acompanha a trajetória de um tomate desde o plantio até seu apodrecimento, no lixão, em meio a homens, mulheres, crianças e animais. O filme ganhou sete Kikitos e o Urso de Prata de melhor curta-metragem no festival de Berlim de 1990.
Depois é a vez de Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá (2007), de Silvio Tendler. A última entrevista do geógrafo serve de partida para uma discussão crítica sobre a globalização nas cidades e países, sobretudo no Brasil. Baiano de Brotas de Macaúbas e reconhecido como um dos maiores especialistas no assunto nas últimas décadas, Santos faleceu em 2001.
Sábado é a vez de A última hora (2007), documentário co-produzido, co-escrito e narrado pelo ator Leonardo DiCaprio e com direção de Nadia Conners e Leila Conners Petersen. O tema é mostrar como a raça humana está destruindo pouco a pouco os ecossistemas mundiais. Para legitimar ainda mais a opinião, o longa conta com cerca de 50 entrevistas com cientistas.
A programação segue com a ficção Saneamento básico, o filme (2007), também de Jorge Furtado, com Lázaro Ramos, Fernanda Torres e Wagner Moura (domingo), o repeteco de Encontro com Milton Santos (segunda) e Planeta branco, de 2006, sobre o meio ambiente ártico (terça). Na quarta-feira é a vez do documentário vencedor de dois Oscar Uma verdade inconveniente (2006), dirigido por Davis Guggenheim, apresentado pelo ex-vice-presidente americano Al Gore. No encerramento, Migração alada (2001), de Jacques Perrin, traz o registro dos hábitos de diversas espécies de aves que voam através dos continentes em busca de condições melhores de vida.
FICHA
Mostra: 1ª Mostra de Cinema Ambiental
Onde: Saladearte - Cinema da Ufba (Canela)
Quando: de amanhã a 3 de julho, às 20h30
Ingressos: gratuitos (deverão ser retirados 30 minutos antes)
PROGRAMAÇÃO
Ilha das flores (amanhã)
Encontro com Milton Santos (amanhã e segunda)
A última hora (sábado)
Saneamento básico (domingo)
Planeta branco (terça)
Uma verdade inconveniente (quarta)
Migração alada (quinta)
Fonte: Correio da Bahia