Cássia Candra
Os leões que vivem no Parque Zoobotânico Getúlio Vargas (Zoológico de Salvador) vão ganhar acomodações mais dignas de seu status hierárquico na selva. Está prevista para 12 de outubro, Dia das Crianças, a entrega do felinário que vai acomodar com mais conforto e dignidade os animais da família de mamíferos carnívoros do parque de lazer.
Os cubículos, que até há poucos meses os abrigavam, vão dar lugar a uma espécie de jaula do século XXI. Ao invés de grades, paredes de vidro laminado vão permitir mais integração com o público. Mas, em seu novo recinto, quando estiverem cansados da presença dos visitantes, o casal de leões, o tigre, quatro onças pintadas, o casal de onças pretas e três sussuaranas terão opção de se reservar em área construída com este propósito.
De acordo com o médico veterinário Vinícius Dantas, administrador técnico do Zôo, o objetivo principal da reforma não é apenas embelezar o parque, tornando o um centro de lazer mais atraente: “O projeto visa primordialmente o respeito técnico aos animais”. O novo local inclui um córrego com peixes e água tratada dentro da área destinada aos felinos, também ampliada em 50% no espaço de convivência.
AVES - Além do Recinto Grandes Felinos, cogita-se para a mesma data a inauguração do Recinto das Aves. O coordenador do Zôo de Salvador, Gerson Norberto, antecipa que a área consiste em um viveiro de 20 metros de altura com vegetação natural em ambiente sustentável abrigando 40 espécies de aves. O espaço inclui o sistema walking through, permitindo ao visitante andar no ambiente, interagindo com aves como papagaios e periquitos.
Os novos espaços integram a reforma estrutural e técnica do Zoológico, que há alguns meses mantém áreas interditadas para visitação pública. A reestruturação do parque quer alcançar uma meta mais ousada: “Pretendemos voltar a ser o zoológico mais importante do Norte e Nordeste, e do País, no nível de produção de matéria científica”, ambiciona Gerson Norberto, coordenador administrativo.
Segundo Vinícius Dantas, a reforma vai representar uma melhoria de 80% no Zoológico de Salvador, que está dentro das instruções normativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ocupando nove hectares dos 25 que compreendem a área total do parque, o zôo abriga 156 animais de 154 espécies, um dos quatro maiores do País.
O veterinário pontua que o sucesso do projeto está atrelado a uma mudança de comportamento entre a instituição e o freqüentadores “e o zôo investe em capacitação técnica de pessoal (funcionários e sua equipe de 28 estagiários de veterinária e biologia) e em informação”.
PÚBLICO – “Não vejo a hora. Isso aqui está muito triste sem leão, sem tigre e as cobras que eu não vi. Já é a segunda vez que trago as crianças e a gente não vê esses bichos”, reclama Maria Anunciação Souza, com coro dos três filhos de 5, 6 e 8 anos.
O bancário Jefferson Silveira, que também passeava com os filhos de 8 e 10 anos, afirma que “o zoológico estava precisando de uma iniciativa como esta, que vise maior respeito aos animais”.
Ele confessa que várias vezes se sentiu “deprimido ao ver a situação de alguns bichos”.
Sinalização para evitar agressões aos bichos
O médico veterinário Vinícius Dantas, administrador técnico do Zoológico de Salvador, afirma que o público pode ajudar à administração respeitando as normas da casa, como não alimentar os animais. “Muita gente vê os macacos estendendo a mão achando que passam fome, mas não é assim. Estão sempre alimentados. Este gesto faz parte do comportamento natural deles”.
O veterinário Dantas afirma que a reforma prevê um investimento mais efetivo em informação. ”A administração vai trabalhar forte nisso, colocando placas informativas em toda a área do zoológico”, revela.
Para o coordenador técnico do zôo, a informação interessa aos visitantes porque vai permitir que tenham mais conhecimento técnico sobre os animais, revelando aspectos característicos de seu comportamento. Ao mesmo tempo, esta mesma informação será eficiente para os animais, que poderão vir a ser tratados de maneira mais respeitosa pelos visitantes.
”Achamos que, se o visitante ler, ali na placa, por exemplo, a informação de que o jacaré não está doente se ficar parado tomando sol, que de dia é assim que se comporta; que a água onde se banha, toda verde, coberta por organismos, não está estragada, e que tem nutrientes para o animal, podemos ajudar as pessoas a respeitarem mais os animais do parque”.
Segundo Vinícius, alguns visitantes chegam a agredir os animais. ”Tivemos uma siriema com o fêmur quebrado em seis lugares”, denuncia.
LAZER - O Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, instituição vinculada à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, foi fundado nos anos 1950 e incorpora em sua área total, em Ondina, um remanescente secundário de mata atlântica.
No parque estão abrigadas algumas espécies que pertencem à fauna do Brasil e animais ameaçados de extinção. De acordo com a administração do zôo, 55 animais que habitam o parque estão ameaçados de extinção em seu ambiente natural. Por isso, o projeto de reforma inclui informação e “atividades de educação ambiental como base de apoio às pesquisas de fauna e flora”, observa Vinícius Dantas.
Fonte: Jornal A Tarde