Comunidades tradicionais entregam Carta pelas Águas na Conferência Estadual do Meio Ambiente

14/03/2008

Os desejos e demandas sobre as águas do local onde vivem os quilombolas, povos indígenas, povos do campo, pescadores, marisqueiras e comunidade de terreiro da Bahia fazem parte da Carta pelas Águas, que será entregue neste domingo (16) na abertura da Conferência Estadual de Meio Ambiente, que acontecerá no Centro de Convenções até a próxima terça-feira.

A Carta foi elaborada pelas comunidades tradicionais e os segmentos juventude, mulheres e crianças durante os Encontros Pelas Águas, promovidos em várias bacias hidrográficas do Estado no ano passado pela Superintendência de Recursos Hídricos (SRH).

O documento foi formatado pelo Conselho de Acompanhamento e Aplicabilidade das Cartas, que é formado por representantes de todos os segmentos envolvidos nos Encontros pelas Águas. Ele foi instituído, via portaria da SRH publicada no Diário Oficial do Estado e é presidido pela Ekedy Sinha, do Terreiro Casa Branca. A Carta contém as demandas levantadas, aponta os problemas vivenciados pelas populações e as diretrizes para a implementação de políticas públicas pelas águas na Bahia.

Ekedy Sinha, que também é coordenadora estadual do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira, avalia que a Carta pelas Águas é um instrumento para a concretização dos sonhos das comunidades tradicionais com relação à água.  “Essa carta representa o nosso suporte perante as autoridades e os políticos, quando podemos falar das nossas necessidades, do respeito e amor pela água, na preservação do nosso bem precioso e sagrado que é a água, elemento fundamental da nossa religião. Esperamos que não fique apenas no papel”.

Quilombola de Ilha de Maré, Jaime Cupertino, disse que a representação dos quilombolas nessa carta é uma forma de lutar pela coletividade e a água como um bem de todos. “A água não é quilombola, é universal. O sobrenome pode ser água suja ou água limpa e nós queremos o segundo sobrenome”, destacou. O cacique Kiriri, Lázaro Gonzaga, concorda. “A solução para nós nessa luta é amar e respeitar a natureza, a semente, as árvores e a água que traz a terra saudável para nós”.

O diretor-geral da SRH, Julio Rocha, reafirma que o encaminhamento da Carta pelas Água à Conferência Estadual de Meio Ambiente reflete a gestão participativa das águas. “A Carta é um instrumento fundamental para a consolidação das políticas públicas do Estado. Ela traz as marcas da cultura das comunidades tradicionais e mostra o nível  de consciência ambiental dos agentes sociais envolvidos, ou seja, poder público, sociedade civil e usuários”, acrescentou.

Fonte: Ascom/SRH