01.03.2010 - Técnicos do Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) estarão entre os dias 1º e 14 de março na região de Juazeiro para dar prosseguimento às visitas técnicas de mobilização social de Prefeituras e comunidades locais das áreas mais vulneráveis à desertificação em dez municípios: Canudos, Uauá, Curaçá, Juazeiro, Jaguari, Campo Formoso, Sobradinho, Sento Sé, Casa Nova e Remanso.
De acordo com a coordenadora da Unidade de Desertificação do INGÁ, Nilza Maria de Jesus, a mobilização social envolve discussões sobre desertificação, recuperação de ecossistemas degradados e convivência harmoniosa com o semiárido, além da ampliação do Grupo de Trabalho (GT) para discutir o tema, acompanhar e elaborar o PAE-BA. “A participação das comunidades locais é essencial para a identificação de áreas susceptíveis e para a construção e elaboração do diagnóstico socioambiental”, afirma.
A ação faz parte do projeto de Educação Ambiental e Mobilização Social para Preparação do Plano Estadual de Gestão do Semi-Árido baiano, que está inserido no Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca para o Estado da Bahia (PAE-BA), que vem sendo desenvolvido pelo INGÁ desde 2007.
Já foram feitas visitas nas regiões de Guanambi, Irecê e Jeremoabo. Dentre as ações realizadas nestas regiões, está a construção do diagnóstico socioambiental das localidades envolvidas e impactadas pelo fenômeno.
Dentre os objetivos do programa, está a preservação e conservação do solo, da água e da vegetação nativa, possibilitando o bem estar das comunidades envolvidas, promovendo a cidadania e favorecendo a melhoria da qualidade de vida.
"Só podemos mitigar, ou seja, diminuir os efeitos da desertificação com ações integradas e essas ações terão de ser definidas ouvindo a sociedade. Quem mais conhece o semi árido é quem vive no semi árido, e isso passa por considerar soluções como uso de aguadas, cacimbas, de saber como lidar com a chuva e de criar cadeias produtivas que fixem as pessoas no semi árido”, afirmou o diretor geral do INGÁ, Julio Rocha.
Etapas do Programa Estadual - As ações fazem parte do convênio com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em que o INGÁ fica responsável por conhecer as experiências locais de combate à desertificação nas regiões e pelo acompanhamento do diagnóstico socioambiental, construído junto com as comunidades de forma participativa.
Já a universidade trabalha o mapeamento detalhado das condições de degradação ambiental e os processos de desertificação, através do levantamento do solo, vegetação e fauna; indicadores físicos, biológicos, socioeconômicos e climáticos; análise de imagens de satélite e elaboração de mapas temáticos de cada uma das quatro regiões.
Para a construção do PAE-BA, o INGÁ selecionou quatro pólos regionais (Guanambi, Irecê, Jeremoabo e Juazeiro) enquanto áreas prioritárias para a realização do diagnóstico socioambiental, ações de mobilização social e articulação interinstitucional. Estes pólos regionais são formados por um conjunto de 52 municípios localizados no semi-árido baiano, cuja formação vegetal predominante é a caatinga, e estão inseridos entre as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD), classificadas como semi-áridas (onde as chuvas são mais escassas).
De acordo com Fábio Moura, técnico da Unidade de Combate à Desertificação do INGÁ, os 52 municípios selecionados representam cerca de 40% das áreas classificadas como ASD/semi-áridas e servirão como referência para a construção do PAE-BA, que beneficiará cerca de 1,5 milhões de pessoas. “Em cada uma das quatro regiões selecionadas, serão identificadas as variáveis referentes às condições socioeconômicas, climáticas, levantamentos demográficos e também uma análise da vegetação, através de algumas coletas e pesquisas sobre as condições dos municípios”, afirma Moura.
“Estamos fazendo o primeiro inventário das vulnerabilidades às mudanças climáticas do Estado para saber qual o efeito que as mudanças climáticas terão nas pessoas e saber quem serão os atingidos pelas mudanças”, afirmou o diretor geral do INGÁ, Julio Rocha, esclarecendo que “o combate à desertificação e as questões ligadas às mudanças climáticas precisam ser trabalhados mais do que uma perspectiva de negócio, e sim, do tratamento da vulnerabilidade e da preparação do Estado no enfrentamento desses problemas”.
Sobre o Combate à Desertificação - O programa pretende traçar um diagnóstico socioambiental e territorial das áreas atingidas para subsidiar políticas públicas de convivência com o semi-árido e mitigação dos efeitos da seca. O objetivo é desenvolver ações de preservação e conservação do solo, da água e da vegetação nativa. O programa terá um investimento de R$ 1,5 milhões e irá beneficiar indiretamente cerca de 3,7 milhões de baianos.
Na Bahia, são 289 municípios classificados como Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD), o que equivale a 86,8% do território baiano (490 mil km2). Com base na Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), essas áreas se caracterizam por longos períodos de seca, seguidos por outros de intensas chuvas. Ambos os processos, secas ou chuvas intensas, costumam provocar significativos prejuízos econômicos, sociais e ambientais.
Sobre Desertificação - Segundo a UNCCD, assinada em 1994 e validada no Brasil em 1997, a desertificação “é a degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultantes de vários fatores, incluindo variabilidades e mudanças climáticas e as atividades humanas”. Por sua vez, degradação da terra significa a perda ou redução da produtividade econômica ou biológica causadas por: erosão do solo; deterioração das propriedades do solo e perda da vegetação natural. Significando desta maneira, a destruição da base de recursos naturais, como resultado da ação do homem sobre o meio ambiente, e de fenômenos naturais, como a variabilidade climática.
A desertificação é um processo que traz consequências dramáticas e, em muitos casos, de difícil recuperação, gerando altos custos sociais, econômicos e ambientais. Alguns estudos têm atribuído a desertificação às seguintes causas: retirada da cobertura vegetal (desmatamento); atividades pecuárias que levam ao pastoreio excessivo; atividades mineradoras, como a extração de areia, argila, minérios; cultivos agrícolas no entorno de nascentes e margens de rios; uso do fogo sem manejo adequado ocasionando as queimadas descontroladas; manejo inadequado do solo e da água e pressão populacional.
Fonte: Ascom/ Ingá