Sema participa de reunião sobre dificuldades para reciclar vidro em Salvador e RMS

20/07/2023

Representantes da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) participaram na terça-feira (18) de uma reunião promovida pela Câmara Técnica de Resíduos do Painel Salvador Mudança do Clima, no auditório da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), situado no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

A reunião promoveu um diálogo entre cooperativas, poder público e a indústria de embalagens de vidro Owens-Illinois (O-I), para buscar soluções para a cadeia de logística reversa de vidro na capital baiana e na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Como representante da Sema, a Diretora de Política e Planejamento Ambiental (DIPPA), Luana Ribeiro, destacou a importância dos serviços ambientais prestados pelos catadores, especialmente quando se fala no impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos vidros, tanto na poluição dos ecossistemas quanto na diminuição da vida útil de aterros, por não ter viabilidade financeira e logística para ser reciclado em larga escada.

“A Sema tem trabalhado com todas as Secretarias para planejar e integrar as ações estabelecidas nas políticas de pagamento por serviços ambientais e resíduos sólidos. E encontros como este, que tem a função da discussão técnica sobre o tema e também de deliberações, que reúne a academia e a indústria junto com o poder público e as cooperativas, são fundamentais para encontrarmos soluções conjuntas e viáveis para todos”, disse.

Durante o encontro, os representantes das cooperativas ressaltaram o baixo valor pago pela reciclagem do vidro e a incapacidade da maioria das cooperativas baianas de realizar a coleta de vidro devido à falta de um local adequado para armazenar o material e os custos logísticos da operação de coleta.

“Não é que não tenha como reciclar, a questão é que não agrega valor. A indústria mais próxima que recebe vidro fica em Sergipe e o preço que pagam não custeia essa viagem. O vidro tem dois inconvenientes principais, é mais pesado que os demais materiais e ocupa um volume maior, pois não pode ser amassado”, destacou Elias Júnior, trabalhador da Cooperativa de Trabalho do BARI (Cooperbari) que esteve presente na reunião.

Após a explanação das dificuldades enfrentadas, o representante da O-I, Alexandre Macário, apresentou alguns caminhos para viabilizar e fomentar a venda dos vidros pelas cooperativas à empresa, a exemplo da junção dos materiais de diversas cooperativas para um frete subsidiado conjunto até a indústria.
Além disso, durante a reunião, foi anunciada a criação do programa do Banco do Nordeste de Economia Circular. O programa que fará parte do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter) terá o objetivo de trazer soluções e fontes de financiamento para a reciclagem do vidro.

Além disso, a Casa Civil do Governo da Bahia informou, por meio do assessor José Tosato, que irá trabalhar junto a Sema para viabilizar a regulamentação da Lei Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que terá o compromisso de garantir a valorização do serviço ambiental da coleta seletiva, além dos outros serviços de proteção hídrica e de florestas, mais comumente conhecidos.