23.12.2009 – Transformar um problema de degradação em potencial fonte de renda, além de melhorar qualidade de vida da comunidade, através de uma iniciativa socioambiental. Esta foi a forma que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) encontrou para reverter um quadro de degradação por meio da utilização da fibra da taboa, planta aquática típica de brejos, manguezais e várzeas.
Preocupada com a disseminação da taboa na lagoa da Usina Cinco Rios, a comunidade de Maracangalha, distrito de São Sebastião do Passé, a cerca de 80 quilômetros, resolveu se unir para limpar a área do espelho d’água ao seu modo. A iniciativa culminou com ações de desmatamento, queimadas e degradação em uma Área de Proteção Ambiental (APA).
Por conta disso, a Sema, através da APA Joanes-Ipitanga, em parceria com a Coelba e o Sebrae iniciou em 2008 a implantação do Núcleo Produtivo de Artesanato em Taboa, a “Taboarte”, melhorando a vida de 35 artesãs locais. “A iniciativa acabou com o problema. A taboa é retirada da lagoa e utilizada como matéria-prima para artesanato, deixando o espelho d’água preservado”, conta o engenheiro agrônomo e gestor da APA Joanes-Ipitanga, Geneci Braz de Sousa.
Habilidade, empenho e criatividade são os ingredientes que as artesãs utilizam para confeccionar os produtos a partir da fibra da taboa. Na “Coleção Maracangalha”, estão chapéus, esteiras, colares, pufes, sacolas, colares, brincos e até buquês.
Mudança de vida - Maria José Campos, 54 anos, professora aposentada, quando deixou de ensinar há cerca de dois anos, não sabia como se adaptar a nova condição. Sentia solidão por não ter companhia, pois todos em casa saiam. Foi quando foi convidada a participar do Projeto Taboarte. “Foi uma mudança em minha vida, abracei o projeto e me dedico de corpo e alma”, conclui a aposentada.
A dona-de-casa Leilane Araújo é outro exemplo na melhoria de vida. A jovem de 24 anos participa do projeto desde o início e conta que, só agora, junto com as companheiras de tear estão tendo lucro, pois no primeiro ano o que era vendido servia para pagar parte de materiais e manutenção. “O Taboarte chegou em boa hora, é uma iniciativa muito proveitosa”, salientou.
Na questão ambiental, a Sema por meio dos técnicos da APA Joanes-Ipitanga procuram orientar as artesãs a extrair e manusear corretamente a fibra da taboa por meio da elaboração de um plano de manejo para a cultura. O Sebrae consiste na capacitação técnica para o trabalho com a taboa visando a produção artesanal e sua posterior comercialização.
Desde a sua implantação, foram realizadas uma série de oficinas, voltadas para questões de produção, gerenciamento e mercado, visando a organização e padronização de produtos, consultoria de gestão, capacitação de redes de associativismo e cooperação, entre outros. As artesãs participam de feiras, rodadas de negócios e empreendorismo, visando divulgar e comercializar os produtos na cidade.
A Associação de Moradores e Amigos de Maracangalha, juntamente com a prefeitura de São Sebastião do Passé e o Instituto Mauá também dão suporte ao projeto. Além dos trabalhos manuais as peças são produzidas em 20 teares disponibilizados pelos parceiros.
Fonte: Ascom/Sema