Ilhéus ganha Parque Municipal Marinho

16/06/2011

16.06.11 – Com aproximadamente 5 hectares de extensão, o Parque Municipal Marinho dos Ilhéus foi regulamentado na Semana do Meio Ambiente. A unidade de conservação, criada a pedido da população, local, cujo objetivo é proteger os meros (Epinephelus itajara), possui relação com a identidade que as pessoas simples estabeleceram com o grande peixe. A caça, armazenamento e transporte do mero são considerados crime ambiental.

O interesse da população pela preservação do mero tem relação com o boom da pesca submarina, nas décadas de 70 e 80, quando Ilhéus se tornou conhecida e atraiu caçadores por causa da facilidade em se capturar o peixe. Depois de tantas caças, os meros começaram a ficar menores, depois difíceis de achar, até se tornarem raros. Hoje são encontrados em listas das espécies ameaçadas e hoje figura na lista vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature) e na relação do Ministério do Meio Ambiente.

A facilidade com a qual os mergulhadores com arpão matavam o mero tem relação com os hábitos desse animal, que é tranquilo, isolado e territorialista. No verão, o mero faz o que os biólogos chamam de agregações reprodutivas. E existe certa preferência pela área entre a Pedra de Ilhéus, Ilhéuzinho, Itaipinho, Itapitanga e Sororoca – agora Parque Municipal Marinho. A região é próxima do estuário de três rios e tem formação de mangue, o berçário natural.

Epinephelus itajara O mero é da família da garoupa, cherne e badejo. Pode chegar 2,7 metros de comprimento e pesar mais de 400kg. Habita regiões recifais, lajes, estuários e manguezais, além de ser encontrado em naufrágios e outras estruturas submersas. Os filhotes possuem um crescimento lento e só atingem a maturidade sexual com seis anos ou 60kg.

A identidade da população com o peixe e a pressão popular levaram a prefeitura a estabelecer um rito de criação de unidade de conservação diferente. O Parque Municipal Marinho dos Ilhéus teve participação da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), da colônia de pesca Z-19, do Instituto Floresta Viva, apoio técnico do projeto Meros do Brasil e financeiro do SOS Mata Atlântica e Fundação O Boticário.

Fonte: O Eco