Tributo a Tom Jobim fecha Semana do Meio Ambiente

03/06/2008

Para encerrar a Semana do Meio Ambiente em grande estilo, chega a Salvador o Projeto Homenagem a Tom Jobim – Afro Bossa Nova. O show, que já percorreu diversas capitais brasileiras, acontecerá no Farol da Barra, na próxima sexta-feira (dia 6), às 20 horas, com o apoio da Embasa e Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). 

“São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração”. A conhecida composição “Águas de Março”, de Tom Jobim, está no repertório da turnê dos consagrados instrumentistas Paulo Moura e Armandinho. O maestro que buscou na natureza inspiração para muitas das suas canções, é um dos principais criadores do movmento Bossa Nova, que comemora os 50 anos em 2008. 

A turnê integra 16 shows, que começaram a ser realizados desde 15 de maio e vão até 15 de junho. As apresentações são realizadas com o apoio do Instituto Votorantim, através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

Após a conclusão da primeira etapa da turnê, o balanço é positivo: o projeto já passou por oito capitais e reuniu mais de quinze mil espectadores. Só na cidade de Fortaleza foram mais de quatro mil pessoas.
Paulo Moura (clarinete) e Armandinho (bandolim e guitarra baiana), estão em companhia do violonista Gabriel Improta e dos percussionistas Giba Conceição, Gabí Guedes e Nei Sacramento.

O projeto tem o objetivo de difundir a música instrumental  brasileira, abrindo novos mercados para a modalidade. A idéia é que a música instrumental possa ser apreciada por um número de pessoas cada vez maior, por isso todas as apresentações são gratuitas, realizadas em praças ou parques públicos dessas cidades. 

Também com a proposta de valorizar a música regional, um grupo local tem se apresentado na abertura de cada show. “Em todas as suas regiões, o Brasil desponta como um dos países mais ricos em expressões de excelência e talento nos mais diversos gêneros e repertórios. O Projeto Afro Bossa Nova reflete essa fusão, trazendo para a harmonia refinada da Bossa Nova, a massa sonora percussiva brasileira”, acredita João Falcão Neto, o idealizador e produtor do tributo, juntamente com Paulo Argolo.  A direção musical é do maestro Paulo Moura e os arranjos de Paulo Moura e Armandinho.

A crítica internacional tem aplaudido este projeto em suas apresentações pela Europa e Estados Unidos. No Festival Internacional de Música Sagrada, em Los Angeles (EUA), em setembro de 2005, o exigente e renomado crítico musical do “Los Angeles Times”, Don Heckman, afirmou: “As notas voavam em todas as direções, com ritmos de choro e sambas abundantes e seqüências (...) estouravam das caixas como novas e fascinantes entidades musicais (...) Tudo isso foi possível graças à combinação de virtuosidade e ecletismo musical (...) O sempre aventureiro Tom Jobim, teria, com certeza, amado tudo isso”.
 
Músicos
 
Paulo Moura esteve junto a Tom Jobim e Sérgio Mendes, na Noite de Bossa Nova no Carnegie Hall em 1962. Os americanos presenciaram o encontro do jazz com samba e o saxofonista e clarinetista brasileiro concluiu: é tudo uma questão de Confusão Urbana, Suburbana e Rural (o premiadíssimo LP de 1976 e depois saber como se Mistura e Manda (outro premiadíssimo LP, este de 1986) para finalmente ir ao encontro das raízes,  tal como fez no Cd Paulo Moura interpreta Pixinguinha que lhe valeu o Grammy 2000 como Melhor Álbum de Música de Raiz.

Destas três vertentes fundamentais é feita a profusão estética de sua carreira nacional e internacional, seja em improvisos de jazz, choro ou samba bossa nova. E a sua marca: um mulato com olhos azuis, formação erudita e  vivência popular, ele e sua obra de vanguarda são a mesma imagem da miscigenação brasileira.

O requinte de seus arranjos e sua maestria na música instrumental, que abrange da orquestra sinfônica à banda de gafieira, estão reunidos a Armandinho, numa releitura primorosa da agora já tradicional Bossa Nova. O vigor das tonalidades e rítmicas africanas que impregnam este estilo musical, nascido entre a zona sul carioca de Tom Jobim e batida afro do baiano João Gilberto, será ressaltado pela sua direção musical neste encontro que é a série Afro Bossa Nova, comemorando simultaneamente os 50 anos da Bossa Nova e os 90 anos do grupo Votorantim.

Já o guitarrista, bandolinista e compositor baiano Armandinho é considerado uma lenda da música brasileira.  Aos dez anos de idade, quando não estava escutando músicas de Tom Jobim e outros grandes nomes da música brasileira, acompanhava seu pai e criador do Trio Elétrico, Osmar Macedo, nas apresentações pelo país. Sua história de sucesso conta com diversos shows no exterior, dezessete discos gravados, participações especiais em  discos de grandes nomes da MPB e seis gravações como integrante da banda “A Cor do Som”, pela qual foi vencedor do prêmio Sharp de 1997. Seu talento é reconhecido e admirado em todo o mundo.
 
Afro Bossa Nova
 
 A Bossa Nova é um movimento da música popular brasileira surgido no final da década de 1950 e início da de 1960. De início, o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba naquela época. Anos depois, Bossa Nova se tornaria um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo, especialmente associado a João Gilberto, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá. Alguns críticos musicais destacam a grande influência que a cultura norte americana do Pós-Guerra combinada ao impressionismo erudito teve na Bossa Nova, especialmente do jazz.

O movimento iniciou-se para muitos críticos quando foi lançado, em agosto de 1958, um compacto simples do violonista baiano João Gilberto (considerado o papa do movimento), contendo as canções Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor). O projeto Afro Bossa Nova vai fazer uma leitura do movimento, inteiramente instrumental.

Sobre o projeto, o guitarrista baiano Armandinho, afirma: “Como instrumentista, sobretudo por ter tido uma escola como o trio elétrico, eu conheço os caminhos de integrar a música instrumental às pessoas. O lado percussivo é importante porque o ritmo é muito conhecido, então nós podemos tocar clássicos com conotações rítmicas percussivas”, defende.

Para Armandinho, “faça o que se faça nada é tão importante quanto a própria Bossa Nova, sobretudo tocá-la no seu bom e original estilo João Gilberto, soberano e absoluto”. “Acontece que cada músico tem sua interpretação, instrumentos e histórias diferentes, daí misturar essa massa sonora percussiva  tem a ver com nossas origens”, afirma. “Bandolim e clarinete dão um toque sofisticado e o violão harmoniza e unifica esses elementos. Assim nasce o Afro Bossa Nova”, conclui.

Fonte: Lume Comunicação