26.08.10 – Mudanças climáticas, aborto e educação ambiental, entre outras temáticas, serão discutidas até o próximo sábado (28), durante o II Congresso sobre Bioética e Direitos dos Animais (II World Conference on Bioethics and Animal Rights), que acontece na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Ondina. O objetivo é chamar a atenção e esclarecer para as questões ambientais e de direito dos animais, difundindo ideias sobre o futuro do meio ambiente.
Um dos participantes, o coordenador do Zoológico de Salvador, Gerson Norberto, que integrou a mesa-redonda Circos e Zoológicos, destacou que o conceito sobre o trabalho desenvolvido por zoológicos precisa ser revisto. “Os zoológicos devem assumir novas funções. Manter animais de cada bioma com o intuito de apenas expor os bichos é algo ultrapassado”, avaliou Gerson.
Durante o debate, Gerson também destacou os trabalhos realizados no Zoo de Salvador e as ações relacionadas à educação ambiental e proteção aos animais. A reprodução dos bichos, outra preocupação, integra o Programa de Preservação da Espécie, desenvolvido com êxito no Parque. “Esse gerenciamento de espécies ameaçadas de extinção é aplicado a animais como ursos-de-óculos, onça-pintada, onça-preta, cervo do pantanal, tamanduá bandeira e mico-leão-da-cara-dourada”, detalhou.
O coordenador falou ainda sobre o número significativo de nascimentos no Zoo, reflexo do trabalho técnico desenvolvido. “Desenvolvemos ações de medicina preventiva, nutrição animal e enriquecimento ambiental. Todas estas ações garantem o bem-estar animal e reforçam o trabalho de educação ambiental realizado”, citou.
Unidade de preservação – Coordenadora nacional da GAP-Brasil (sigla em inglês para Projeto de Proteção dos Grandes Primatas), Selma Mandruca falou sobre o drama dos animais que vivem em circos, maus tratos, segurança e saúde pública. O GAP é um santuário que abriga animais (sobretudo chipanzés) oriundos de circos e zoológicos.
“Depois de conhecer o trabalho desenvolvido no Zoo de Salvador, passei a acreditar no zoológico como uma unidade de preservação. Mas, infelizmente, zoológicos como este são minoria no Brasil. Não podemos aceitar a manutenção de animais como objetos de coleção. Atividades relacionadas à pesquisa e educação ambiental devem ser o objetivo maior nestas instituições”, considerou.
Integrante do Movimento Gaúcho de Proteção Animal do Rio Grande do Sul, Maria Luiza destacou a importância do encontro. “Como militante, acredito que seja fundamental conhecer o que ocorre em outros lugares do Brasil. Mais até do que as palestras, essa troca de experiências são enriquecedoras”, pontuou.
“Ainda existe muito o que se fazer no Rio Grande do Sul, mas, se compararmos com a situação de dez anos atrás, tivemos grandes avanços como a aprovação de três leis que considero importantes, como a proibição de animais em circos, extermínio de animais e proibição da caça. Para que cada uma dessas leis aconteçam, existe uma luta enorme. Os ativistas, que fiscalizam estas situações, não crescem na mesma proporção”, disse.
O evento, que tem como tema “A perspectiva para a vida em um planeta em mudança – aonde chegaremos, para onde estamos indo e quais as principais pesquisas na área da Bioética, Direito Ambiental e Direito Animal” conta com a participação de pesquisadores brasileiros e dos continentes americano, europeu e australiano. Mais informações no site www.abolicionismoanimal.org.br.
Fonte: Ascom/Sema