09.09.10 - Em homenagem ao Dia do Veterinário, comemorado em 9 de setembro, o Zoológico de Salvador promoveu programação especial para marcar a data. Além da equipe do Parque, o encontro reuniu estudantes e profissionais de biologia e medicina veterinária, que discutiram experiências e exigências do mercado de trabalho em três palestras temáticas. Antes do inicio das atividades, os convidados foram recebidos com oração de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais.
Há 14 anos na profissão, o coordenador-geral do Zoo, Gerson Norberto, ministrou a palestra Novos horizontes para o Médico Veterinário. “É um prazer, um privilégio, falar de medicina veterinária com vocês”, disse. Segundo ele, para ter sucesso na profissão, antes de tudo, é necessário que haja uma vocação “A vontade de exercer a medicina pode vir da infância, da escola ou da universidade, mas acredito que a palavra que melhor define e destaca um profissional é a é vocação. A partir dela, vem a ética, a determinação e o compromisso”, completou.
Outros temas como poluição, aquecimento global e reciclagem foram citados por Norberto, pois, de acordo com ele, todos nós somos responsáveis pelas mudanças que estão ocorrendo no meio ambiente “As degradações são mil vezes pior do que as ações reparatórias. Nós, por sermos veterinários, precisamos fazer a nossa parte, ou seja, atentar para a preservação por completo”, opinou.
Iniciativa – Representante do Conselho Regional de Medicina Veterinária, o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maurício Costa Almeida Silva, veterinário há 16 anos, participou do encontro e elogiou os técnicos do Parque. Segundo ele, são válidas as iniciativas de instituições, a exemplo do Zoo de Salvador, em promover palestras e mini-cursos para os novos profissionais.
“As pessoas acham que apenas eventos de grande porte têm influência, mas isso não é verdade, pois todos têm importância. Essa programação, por exemplo, marca a atuação do Zoológico de uma forma singela, mas significativa, e o trabalho desenvolvido. Eles estão mudando o papel do Zoológico, mostrando o trabalho de uma forma competente. É uma sementinha que está sendo plantada”, afirmou Mauricio.
Para o professor, a conscientização dos alunos é outro ponto que é modificado a partir da aproximação deles com profissionais já atuantes. “Com outras programações, como essa, conseguimos fazer um trabalho em sociedade. Sempre estimulo meus alunos a participarem de eventos técnico-científicos, mesmo que, num primeiro momento, eles não queiram atuar em determinada área, mas após a graduação eles podem se interessar”, completou Maurício.
Falta de pesquisadores – A palestra Principais Doenças em Carnívoros Selvagens foi conduzida pela técnica Marta Calasans, que citou a importância do trabalho realizado pelos veterinários. Para ela, a profissão está evoluindo gradativamente, no entanto, ainda faltam pesquisadores em algumas áreas. “Somos carentes de estudos. A clínica de silvestres, por exemplo, ainda está defasada. Seria um grande ganho para a história da veterinária se houvessem maior investimento em pesquisas”, disse.
A técnica citou as doenças mais comuns em animais selvagens e apresentou os seguintes tópicos: atuação de vírus, bactéria ou hospedeiro sobre o sistema imune de carnívoros; sinais clínicos, diagnósticos e prevenção e controle. Marta também relatou o caso de uma fêmea de lobo-guará, que precisou ter o recinto re-ambientado. Essa foi uma medida adotada para que bactérias e hospedeiros não contaminassem os outros indivíduos da espécie. “Além da verificação constante, buscamos realizar os tratamentos. Se for necessário, mudamos o ambiente. Um bom recinto ameniza os problemas de um animal, muda o modo de viver deles”, afirmou.
Dicas para futuros profissionais – O coordenador Técnico do Zoo, Vinícius Dantas, apresentou a palestra Clínica de répteis? Não é bicho papão, que tratou sobre nutrição, enfermagem e medicação feita nos bichos. Algumas curiosidades também foram lembradas para que os estudantes visualizassem os conceitos, aproximando-os da prática. Dantas também mostrou vídeos e equipamentos utilizados no Zoo.
O doutor Maurício Silva contou que, para ser um bom profissional, o estudante de veterinária deve estar atento ao mundo. “A exemplo do que foi dito nas palestras, acrescento que o médico veterinário não deve ser visto apenas como aquele que estuda os animais e o comportamento. Ele deve estar atento às mudanças climáticas, políticas, econômicas e estudar o mundo, participando do contexto social”, concluiu.
Fonte: Ascom/Sema