Castração de animais quer reduzir zoonoses na Península de Itapagipe

10/03/2008

Quinze cães abandonados no bairro da Ribeira, em Salvador, foram recolhidos na manhã de hoje (dia 10), para serem submetidos à castração e vacinação. A iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), em parceria com a Associação Brasileira Terra Verde Viva, pretende estender a ação a 400 animais, entre cães e gatos, até 15 de abril. A medida é para evitar a reprodução descontrolada, diminuir a densidade de animais e reduzir a incidência de zoonoses, nas vias públicas da cidade.

Segundo a coordenadora da associação, Jussara Freire, diariamente serão recolhidos 15 animais na região da Península Itapagipana. “A cidade baixa foi escolhida para desenvolver a ação por concentrar um grande número de animais abandonados nas ruas e estar próxima às praias”, explicou. Paralelo à ação, está sendo promovida a conscientização e sensibilização da comunidade local, estimulando a adoção de animais. “Cão bem cuidado é saúde pública preservada”, alertou.

Tratamento - Depois do recolhimento, os animais são levados pela associação para uma clínica, onde passam por uma triagem, para avaliação geral do animal, além de recolhimento do sangue para exames. Segundo o médico veterinário responsável pelo tratamento, Moacir Neto, essa primeira avaliação ”reflete o estado de saúde dos animais”, definiu.

Neto explica que na etapa seguinte o animal é encaminhado ao centro cirúrgico para castração. O procedimento também reduz as chances de desenvolvimento de tumores nos testículos, ovários, mamas e infecções nos órgãos reprodutivos. “Além disso, a principal função da castração é deixar o animal incapacitado para a reprodução”, justificou o veterinário, acrescentando que uma cadela pode gerar cerca de 130 filhotes durante a vida reprodutiva, de seis anos.

De acordo com Jussara Freire, a castração dos animais é garantida pela Constituição Federal. “A Lei defende a cirurgia para que os animais não se proliferem sem controle, aumentado os riscos de epidemias, abandono, além de ficarem expostos a crueldades nas ruas”. Freire salienta que as medidas de redução da população animal, por meio de apreensão e eutanásia são falhas, pois “além de constituírem crime, não sanam o problema”.

Todos os cães recolhidos pela associação vão receber uma identificação na orelha, em formato de tatuagem. A idéia é compor um banco de dados, com todas as informações técnicas e cirúrgicas de procedimentos realizados no animal.  

A Associação Brasileira Terra Verde Viva coordena adoção de cães e desenvolve atividades, com o objetivo de diminuir a taxa de natalidade por esterilização em massa, de combater aos maus-tratos, além de conscientizar a população sobre os direitos dos animais. “Criamos cerca de 100 cães nas nossas casas de passagem. Todos são vacinados, higienizados, vermifugados e esterilizados”, garantiu. Os interessados em adotar um animal podem entrar em contato pelo telefone (71) 3266.0036, ou enviar e-mail para terraverdeviva@yahoo.com.br.

Fonte: Ascom/Semarh