26.04.2010 - Projeto Pau Brasil Corredor Monte Pascoal - Pau Brasil, no Extremo sul Sul da Bahia, recebe certificação internacional, a primeira desse tipo no Brasil.
O projeto Corredor Ecológico Monte Pascoal – Paul Brasil recebeu esta semana o certificado internacional de Clima, Comunidade e Biodiversidade (padrão CCB). É o primeiro projeto de restauração no Brasil a conseguir a cerificação do CCB, o que significa que a iniciativa foi considerada capaz de, ao mesmo tempo, minimizar os efeitos das mudanças climáticas, dar suporte ao desenvolvimento sustentável e conservar a biodiversidade e dar suporte ao desenvolvimento sustentável, gerando benefícios para as comunidades envolvidas.
O projeto é uma iniciativa de uma rede de instituições formada pela The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica (Ibio), Conservação Internacional (CI), Instituto Cidade, Grupo Ambiental Natureza Bela, Associação de Nativos de Caraíva (ANAC), Associação Comunitária Beneficente de Nova Caraíva (ASCBENC) e Cooperativa de Reflorestadores de Mata Atlântica do Extremo Sul da Bahia (Cooplantar), cada uma com uma responsabilidade específica.
A iniciativa é a primeira etapa de uma estratégia de restauração florestal cujo objetivo é formar um corredor ecológico entre dois parques nacionais, o Parque Nacional do Pau Brasil e o Parque do Monte Pascoal, no Estado da Bahia. A área do projeto é considerada uma das mais ricas em biodiversidade do mundo e é conhecida como o corredor do descobrimento, local onde os Portugueses portugueses primeiro desembarcaram no Brasil.
Segundo Gilberto Tiepolo, coordenador de carbono florestal da TNC, o trabalho irá construir um corredor ecológico criando conexão entre remanescentes de Mata Atlântica e os protegidos nos dois parques nacionais, principalmente entre a e fragmentos significativos existentes na bacia hidrográfica do rio Caraíva e uma pequena área da bacia do rio Frades, uma região desmatada no meio dos dois parques nacionais.
A degradação ambiental da região teve início, nas décadas de 1960 e 1970, com a construção de rodovias, como a BR 101 e também investimentos na produção de papel e celulose com grandes plantações de eucalipto instalação de um pólo de serrarias na região, que teve a maior parte de suas florestas transformadas em pastagens em apenas 20 anos. Atualmente poucos fragmentos de mata atlântica podem ser encontrados na área. A primeira propriedade a ser restaurada pelo projeto é a fazenda Monte Pascoal, de propriedade de Olival José Covre. Ela está localizada no município de Itabela, na Bahia. Um total de 17 hectares de área degradada foi restaurado na fazendo fazenda, usando técnicas como o plantio de mudas de árvores nativas e regeneração natural assistida.
O projeto gerará renda e proporcionará capacitação ambiental transferência de conhecimento e tecnologia aos moradores locais, proprietários rurais e organizações envolvidas. Além de também , além de conservar a biodiversidade, e proteger nascentes e margens de rios, e dessa forma contribuir contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região.
O projeto prevê que o proprietário rural terá o direito de uso da propriedade não terá custos com a recuperação de florestas em reservas legais e áreas de preservação permanente, mantendo o direito de propriedade sobre as áreas restauradas. e a A Cooplantar, cooperativa de trabalho local, será responsável pelas ações de restauração, incluindo condução da regeneração, plantio e manutenção das novas florestas.
Novas oportunidades de trabalho foram criadas pelo projeto com as ações de restauração, como coleta de sementes, produção de mudas, plantio e manutenção, conduzidas pela Cooplantar. Também há oportunidade de trabalho com a implementação de ações de monitoramento dos estoques de carbono, ganhos de biodiversidade e benefícios para a comunidade. Todo o monitoramento socioeconômico será conduzido por membros de associações comunitárias locais.
O projeto de restauração com créditos de carbono começou em 2008, quando o primeiro contrato de restauração foi assinado para os 17 primeiros hectares. Essa primeira parte foi financiada pela Kraft Foods. Agora o projeto receberá apoio da Natura e Coelba, empresas brasileiras. Todas as atividades do projeto foram validadas, mas somente e a primeira área já foi certificada pela Rainforest Alliance, dentro do no padrão CCB. No entanto, no conceito do projeto, novas Novas áreas podem ser adicionadas para certificação até atingir os mil hectares de restauração projetados previstos neste primeiro projeto módulo. A projeção é de que um total de 360 mil toneladas de dióxido de carbono serão removidas da atmosfera em 30 anos, explica Gilberto Tiepolo da TNC.
A Aliança do Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCBA da sigla em inglês) criou o padrão CCB. A CCBA é uma parceria entre diversas companhias, organizações não-governamentais e institutos de pesquisa com o objetivo de promover soluções integradas para manejo de áreas em todo o mundo. O padrão CCB requer que auditores independentes e confiáveis determinem a conformação de projetos com os padrões do CCB em dois estágios, validação e verificação. A validação é uma avaliação do projeto de carbono tendo em vista todos os critérios do CCB. A verificação é uma avaliação dos resultados do projeto tendo em vista uma média de benefícios entre clima, comunidade e biodiversidade, tomando como referência tendo em vista o projeto validado e o plano de monitoramento. A verificação é realizada no mínimo a cada cinco anos.
Fonte: Natureza Bela / Deivison Viana