10.09.2009 - Mais de 260 pessoas lotaram o auditório do Instituto de Educação Euclides Dantas, em Vitória da Conquista, para assistir às palestras do Ciclo de Debates e discutir sobre o tema Gestão Florestal – Atualidades e Desafios. Entre os presentes, estavam estudantes universitários, professores, representantes de instituições públicas e privadas, produtores rurais e membros dos diversos segmentos da sociedade, que participaram ativamente do evento.
O público presente demonstrou grande interesse nas questões ambientais do município, que está localizado numa região em que o histórico de desmatamento ilegal é alarmante e o desenvolvimento das atividades econômicas, predominantes na região, vem contribuído para reduzir mais ainda a vegetação nativa.
"Muitas pessoas não conhecem a dimensão que têm essas questões ambientais e o evento abre o caminho para conquistar esse conhecimento", afirmou a estudante universitária Mabel de Oliveira Santos. "É importante conhecermos os profissionais que já estão atuando na área, pois eles podem nos ajudar a desenvolver técnicas para implantação de mata nativa e exótica, para recuperar as áreas devastadas pelo desmatamento", observou a estudante, que está no quinto semestre de Engenharia Florestal, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), curso que foi bem representado pela quantidade de estudantes que compareceu ao auditório.
"Cabe a nós, que estamos buscando conhecimento, desenvolver e levantar essa discussão, para promover o caminho inverso do desmatamento, que é a recuperação das áreas desmatadas e preservação das existentes", afirmou Norton Lima, técnico e consultor em meio ambiente e também estudante da UESB. Norton foi mais além, em sua observação, com relação à recuperação florestal, e afirmou que "para reverter os dados de devastação, é importante possibilitar a preservação de Matas de Cipó, que é uma formação florestal do bioma da Mata Atlântica, nativa da região".
A busca de conhecimento não se restringiu aos estudantes. Muitos participantes aproveitaram a oportunidade para informarem-se melhor sobre gestão florestal, como foi o caso da prefeita de Mortugaba, Rita de Cássia, que pretende levar os questionamentos e as boas práticas ambientais para seu município, que fica a 200 km de Vitória da Conquista.
"A preservação só vai acontecer efetivamente quando as pessoas entenderem que o desejo de preservar tem que nascer de suas próprias consciências", afirmou a prefeita. Cássia também destacou a importância do trabalho que vem sendo feito pelo Governo do Estado para conscientizar às comunidades, sobre as questões ambientais, "esta gestão é, ambientalmente, mais atuante e está expandido bastante para o interior, levando conhecimento, informação e conscientização, elementos fundamentais para promover a preservação ambiental".
Desenvolvimento sustentável - A utilização de madeira em processos industriais também foi um assunto questionado nas apresentações. "A Bahia é hoje um dos grandes fornecedores de carvão para siderúrgicas, no Brasil. Não podemos acabar com o sustento de ninguém, mas devemos promover o desenvolvimento sustentável", afirmou José Alexandre Tavares, engenheiro agrônomo e coordenador do Pólo Florestal de Vitória da Conquista.
Em sua palestra, ele falou sobre a necessidade de se plantar para atender as demandas comerciais de recuperação ambiental, apresentando metas e programas de gestão florestal para a região, de acordo com a vegetação local e suas necessidades. "Para implantar uma floresta, qualquer que seja ela, alguns critérios técnicos têm que ser obedecidos", alertou o engenheiro, destacando a importância do planejamento no reflorestamento.
Números preocupantes - "Quase todos os produtos que consumimos dependem, de alguma maneira, do uso de madeira", constatou o professor Adalberto Brito Novaes, também da UESB, doutor em Ciências Agrárias. Ele apresentou dados alarmantes de estudos relacionados ao consumo de madeira no planeta, "65% da madeira consumida no mundo é de floresta nativa, contra 35% de floresta plantada. Se continuar assim, 13 bilhões de hectares de floresta serão desmatados até 2050. Temos que tomar uma atitude!", alardeou o professor, que também condenou a prática progressiva de desmatamento para a utilização das terras como pastagens, na atividade pecuária. O professor ainda acrescentou que "70% de todo o planalto de Vitória da Conquista é explorado pela pecuária, mas não é só aqui. Tem mais boi no Brasil do que Gente. São quase 190 milhões de cabeças de gado".
Modelos adequados à biodiversidade da região - Com assuntos variados sobre gestão florestal, as palestras tornaram-se complementares, oferecendo um considerável conteúdo teórico e dando margem ao debate para resolução de questões práticas.
"Temos que plantar sim, mas manter a biodiversidade das espécies. Uma monocultura não é uma floresta propriamente dita, pois não há essa diversidade", determinou Avaldo Soares Filho, Professor da UESB e mestre em ecologia. Ele defende que novas soluções sejam desenvolvidas para a gestão florestal do município. "Temos que pensar em novos modelos de reflorestamento, não copiar os modelos de outros lugares. É preciso conhecer as espécies florestais do planalto para promover o plantio adequado à região", reforçou o professor.
Financiamento ecologicamente correto - Algumas organizações financeiras já reagiram para tentar reverter esses dados e passaram a restringir o crédito a empreendedores que não respeitarem as leis ambientais, esse é o caso do Banco do Nordeste.
"Existem algumas linhas de crédito disponíveis, mas para ter acesso ao financiamento é preciso que o produtor comprove que está respeitando toda a legislação ambiental", afirmou o gerente do Banco do Nordeste, Jonas Sala, que falou sobre a necessidade de relacionar o desenvolvimento com a preservação ambiental. "A atividade econômica não é incompatível com a ambiental. Temos que encontrar um ponto de equilíbrio entre essas atividades", completou o gerente.
Fonte: Ascom/Ima