Bosque será implantado para reduzir devastação

14/07/2008

A criação de um bosque em Maragogipinho, distrito de Aratuípe (a 220 km de Salvador), foi a alternativa sustentável encontrada para atender a produção de cerâmica artesanal, a principal atividade econômica da região.

Agora, pretende-se estimular o plantio de eucaliptos e outras árvores nativas para que a madeira possa ser utilizada nos fornos da produção de cerâmica.

Assim, evita-se o desmatamento das áreas verdes.

Essa medida será possível graças a um convênio firmado entre a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e a prefeitura da cidade. Com investimento pouco maior que R$ 31 mil, uma área de 10 hectares será utilizada.

Além disso, o projeto está sendo classificado como bosque energético e servirá de combustível na fabricação de peças em barro, beneficiando 600 famílias ligadas diretamente à produção de cerâmica.

O reflorestamento, a recomposição de matas ciliares e a arborização urbana também são objetivos do convênio. No bosque, haverá um viveiro capaz de produzir 100 mil mudas ao ano.

DOAÇÃO - Segundo o diretor do Departamento de Esporte e Lazer do município, Paulo Machado, a área do bosque pertence ao município, mas o terreno será doado. Isso trará benefícios às 115 olarias de Maragogipinho.

As olarias são cabanas rústicas de palha onde os trabalhadores lidam com o barro e fazem trabalhos de cerâmica. "Em um mês, daremos início à implantação do viveiro, que começará a produzir em quatro anos", diz.

As mudas de eucalipto serão doadas por diversas instituições que irão oferecer assistência técnica no plantio. "Depois da entrega da área, os técnicos vão fazer estudos e analisar quantas mudas serão necessárias para o plantio", informou o superintendente de biodiversidade, florestas e unidades de conservação da secretaria, Marcos Ferreira.

AMBIENTE - Para Elenildes Santos, presidente da Associação de Auxílio Mútuo dos Oleiros de Maragogipinho (Aamon), que reúne 116 associados, o bosque energético será uma alternativa sustentável para a população.

"Nós, produtores, não temos licença ambiental para derrubar árvores e a implantação do bosque se torna um recurso legal, que pode ser utilizado com tranqüilidade", comemora.

A idéia surgiu da Aamom, que há muito tempo busca a preservação ambiental, devido à retirada de madeira para a queima de lenha nos fornos das olarias. Segundo Elenildes, essa retirada pode ter causado algum desmatamento na região. "Uma olaria usa em média um caminhão de lenha a cada dois meses. E não há replantio", justificou.

Para o secretário Juliano Matos, do Meio Ambiente, a iniciativa é pioneira, quando associada à produção de cerâmica no País. "Será o primeiro produto do tipo no Brasil a adquirir o selo verde, fruto da responsabilidade ambiental", previu. Matos disse ainda que é uma garantia para os jovens, assegurando desenvolvimento econômico e renda, aliados à proteção ao meio ambiente, para as futuras gerações.
 

Fonte: Jornal A Tarde