04.12.2008 - Mais de 200 índios kaimbés, além de representantes de órgãos federais, estaduais, municipais e universidades, participaram esta semana do I Fórum Kaimbé de Diretrizes de Políticas Públicas para Sustentabilidade Ecossociocultural do Território, localizado no município de Euclides da Cunha, norte do Estado.
“Não quero mudanças que agridam meu povo, só almejo benefícios para minha gente. A água faz parte da mãe natureza, gera equilíbrio para o planeta e seu uso precisa ser discutido”, afirmou Juvenal Fernandes, cacique da aldeia há 21 anos, referindo-se à importância em preservar o Rio Itapicuru, que corta área e é fonte de subsistência do povo kaimbé. “Queremos evoluir, só que preservando nossos costumes, nossas tradições”, destacou.
O evento é resultado da parceria firmada em outubro deste ano, entre a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e a organização não-governamental Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA). Foram discutidos planos e diretrizes, para orientar políticas públicas e gestão do uso da água, aliados à preservação e defesa dos recursos hídricos.
O fórum foi dividido em seis grupos de trabalho, debatendo temas como gestão das águas, matas ciliares, plantas nativas, animais silvestres, agricultura e ambiente. Durante o trabalho de grupo, os kaimbés identificaram e apresentaram soluções para os problemas enfrentados pela comunidade no dia-a-dia.
De acordo com o coordenador do IRPAA, Moacir Santos, o encontro colocou em pauta reivindicações de um dos povos indígenas da Bahia. “Através das diretrizes discutidas estamos construindo uma educação cidadã, onde as soluções são propostas pela própria comunidade, essa iniciativa precisa se expandir a todos os 14 povos indígenas do estado”, defendeu.
Propostas - Segundo o coordenador de Educação Ambiental da Sema, Rodrigo Pacheco, o próximo passo é a elaboração de um documento contendo as reivindicações e as soluções propostas pela comunidade, que será encaminhado aos órgãos do governo envolvidos. “A expectativa é que em dois anos, as propostas apresentadas já estejam implementadas no povoado”, informou.
Um dos problemas enfrentados pela comunidade é a caça predatória de animais silvestres. “Vivemos basicamente da caça dos animais para nos alimentar, não podemos deixar que eles desapareçam, como também não podemos ficar sem água para beber”, disse o também cacique Gregório Santos.
As atividades do segundo dia de fórum foram encerradas com a celebração de uma dança ritualística dos kaimbés, acompanhados por um grupo musical formado por jovens índios do povoado. Bruno Ferreira, 23 anos, é um dos componentes do grupo. Hoje ele toca zabumba nas festas religiosas da aldeia, além de ser secretário da escola do povoado. “Meu sonho é estudar e aprender cada vez mais, para ajudar o meu povo. Não quero sair daqui, só resgatar as crenças e costumes da minha gente”, disse.
Fonte: Ascom/Sema